terça-feira, 29 de dezembro de 2009

A redemocratização incompleta – mais um pouco de história


O povo é ilegal! Charge do cartunista Henfil sobre mobilização popular em favor das eleições diretas para presidente da República (1984).


Retomando a perspectiva do último texto deste blog, vale a pena revisitar outro fato relevante, sobretudo para nosso país, qual seja a redemocratização. Encaixa-se se entendermos que certa democracia anteriormente tenha de fato ocorrido. Não tenho plena convicção se ocorre mesmo nos dias atuais, embora saiba que isso é polêmico.

Após os terríveis anos de chumbo, ou seja, a ditadura militar (“ditabranda” é o caralho, Folha de SP!) que teve início com o golpe de 1964, os militares desgastados e desgostosos com a situação quiseram se livrar dos problemas que eles mesmos criaram para o país. Resolveram “atender aos anseios do povo”, mas promovendo a redemocratização de forma lenta, gradual e segura (para eles, é claro).

Com a chegada do General João Baptista Figueiredo a presidência, os militares pretendiam livrar-se do “pepino” que era governar um país em crise. Os primeiros movimentos foram a Lei da Anistia promulgada em agosto de 1979 e que, além de beneficiar àqueles que outrora foram perseguidos e cassados, beneficiou os militares que cometeram torturas e assassinatos, pois essa medida protegeu esses facínoras à serviço da “moral e dos bons costumes”.

Livraram-se também da crise econômica em que jogaram o país: dívida externa gigante, inflação tão grande quanto, concentração fundiária e alto índice de desemprego. Todos esses fatores agitavam a sociedade brasileira e a insatisfação promoveu grandes movimentos populares na luta pela redemocratização.

Em 1984, a campanha “Diretas já!” foi o grande movimento que articulou partidos políticos, movimentos ligados à Igreja Católica, sindicatos de trabalhadores, entidades científicas, estudantes, parte da imprensa, universidades, dentre outros, na luta pela volta da democracia. Embora retumbante, as eleições subsequentes aconteceram em 1985 e de forma indireta (pelo Colégio eleitoral – Congresso).

Tancredo Neves foi eleito presidente, mas não conseguiu ser empossado devido ao fato de ter sido acometido por doença e morrer antes de sua posse (circunstâncias esquisitas!). Tomou posse seu vice, José Sarney (nosso conhecido bigodudo). Seu governo tentou domar a crise econômica brasileira e promover as reformas democratizantes, contudo não atingiu êxito nas tarefas.

Embora a Assembléia Constituinte tenha se reunido e a Constituição de 1988 tenha sido promulgada em seu governo, sua marca foi a hiperinflação, seu bigode e o lema: “Tudo pelo social”.

Em 1989 acontece o "show da democracia", ou seja, as eleições diretas para presidente, não obstante tenhamos passado por eleições diretas para governador (1982) e para prefeito (1988).

Temendo uma vitória do candidato ligado às camadas populares e, sem ter seu candidato oficial em condições de vencer o pleito, surge uma aposta dos poderosos por um governador das Alagoas, com fama de “caçador de marajás” como plano b. Até a imprensa oficial televisiva (globo) acaba por dar um jeitinho de ajudar na eleição mais “collorida” da história do país, sem contar o jogo sujo realizado durante a campanha presidencial pelos adversários de Lula.

Fernando Collor confiscou poupanças, lançou moeda, iniciou a política neoliberal e perdeu para a inflação e para os escândalos de corrupção, terminando, após desgastante processo de impeachment, renunciando. Mesmo assim foi julgado e condenado pelo Senado, tendo seus direitos políticos cassados.

Esse balde de água fria em que lutou tanto para escolher através do voto direto seu presidente, aliado a calamidade em que se encontrava o país, abalou a relação entre representantes e representados.

Itamar Franco, vice de Collor, assume a presidência e herda os graves problemas não resolvidos pelo seu antecessor. Nomeou o tucano FHC para o Ministério da Fazenda e implementou o Plano Real para estabilizar a economia e o plano conseguiu elege-lo (o então ministro) na eleição seguinte, a qual se avizinhava.

A partir daí, além das constantes denúncias de corrupção, tais como “os anões do orçamento”, a compra de votos para a emenda constitucional para re-eleição, o caso Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia) e a CPI dos bancos elevaram ainda mais a desconfiança da população em relação a seus representantes, tornando a classe política alvo de desprezo.

As reformas neoliberais, privatizações de estatais estratégicas  a preço de banana e financiadas (pagas com nosso dinheiro!) pelo BNDES acabou por implementar uma versão tupiniquim do Estado mínimo, entendendo a interferência do Estado na economia como algo ruim. Aliança PSDB/PFL (atuais DEMos) e com aval dos pMDBistas.

Sem conseguir avançar quase nada nas questões sociais prementes, o que era de se esperar acontece, a oposição vence as eleições e o primeiro presidente oriundo das camadas populares chega à presidência com a principal tarefa de promover a transformação social, da continuidade à estabilidade da economia, promovendo desenvolvimento e distribuição de renda.

Lula conduz o país, embora abalado por denúncias de corrupção de parte de seus aliados, com crescimento, distribuição de renda através do programa Bolsa Família e alta popularidade.

Ainda que as desigualdades sociais persistam e seja o grande desafio brasileiro, o país passou a ser importante ator no cenário internacional, liderando diversas propostas e projetos tanto em nosso continente, quanto nas mais relevantes negociações internacionais.

Além de ser chamado pelo presidente estadunidense (Barack Obama) como “o cara” , tem recebido reconhecimento internacional e obteve êxito em trazer dois dos maiores eventos esportivos do planeta para terras brasileiras, que são a Copa do Mundo de Futebol em 2014 e os Jogos Olímpicos Rio 2016!

Relembrando o clássico “O Príncipe” de Nicolau Maquiavel, penso que talvez Lula tenha conseguido juntar virtù e fortuna.

Mas a história não termina por aqui, pois as dívidas sociais históricas do Brasil precisam ser aceleradamente resolvidas, tais como distribuição das riquezas de forma justa, reforma agrária, fim dos monopólios nas comunicações, maior participação popular, investimentos em saúde e educação públicas, melhoria no transporte de nossa produção, dentre tantos outros.

Democracia e cidadania, embora criações do Velho Mundo, terão espaço aqui desde que se invertam as prioridades e se estabeleça um regime de justiça social, através também da quebra de privilégios da burguesia nacional (urbana e rural), da burocracia estatal e dos acomodados com migalhas (classe média).

Solução definitiva só acontecerá, a meu ver, caso a população participe da vida pública do país e faça a oportuna cobrança das esferas estatais, mas também dos grupos privados, para que não continuem sobrepondo seus interesses em detrimentos aos da população.


Saudações inacabadas...

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Sobre muros visíveis e o isolamento quase invisível – um pouco de história




“História é passado e presente, um e outro inseparáveis.”


Fernand Braudel



“Existe uma civilização mundial, saída da civilização ocidental, que desenvolve o jogo interativo da ciência, da técnica, da indústria e do capitalismo e que comporta um certo número de valores padronizados.”

Edgar Morin
O ano de 2009 marca os 20 anos de fatos históricos pelo mundo e pelo Brasil, portanto, mesmo agora em seu crepúsculo, gostaria de dividir com meus amigos leitores algumas reflexões sobre alguns desses eventos.

Nessa conversa gostaria de refletir sobre a queda do muro de Berlim, a reunificação e o fim da Guerra Fria. Eventos esses interligados e que são utilizados maldosamente e intencionalmente pela nação dos cães infiéis (EUA) e por seus boçais aliados para decretar a morte do Socialismo.

Antes mesmo da rendição alemã e do fim da Segunda Grande Guerra, os líderes das três principais potências mundiais (Churchill/Inglaterra, Rooselvet/EUA e Stálin/URSS) reuniram-se em fevereiro de 1945 em Yalta (Ucrânia) para redefinir o mapa europeu no pós-guerra. Formalizaram tal divisão na Conferência realizada em Potsdam (Alemanha), incorporando no tratado a França (também vencedora da guerra) em julho de 1945. Sendo o país derrotado dividido em 4 zonas de ocupação, uma para cada uma das nações vitoriosas.

Em 1949 o território alemão passou a ser dividido em dois países, República Federal Alemã (Alemanha Ocidental) e República Democrática Alemã (Alemanha Oriental). O primeiro sob a tutela dos EUA e o segundo sob a égide do socialismo soviético. Inclusive a capital até o momento, Berlim, foi dividida entre as duas potências. Não seria diferente, pois o clima de hostilidade se acirrou também em função dessa disputa.

Com altos investimentos na região para a recuperação européia e, sobretudo, na Alemanha Ocidental, sua nova vitrine capitalista, houve rápida modernização e as novidades em forma de rótulos e a chegada de produtos do “american way of life” promoveram grande migração da população da porção oriental para a ocidental. Entre 1952 e 1961, calcula-se a migração de aproximadamente 2,5 milhões de pessoas, buscando o “sonho americano”.

Para evitar que a sedução da propaganda capitalista acabasse por arruinar os planos soviéticos de influência na Europa, em 1961 decidiu-se criar algo que impedisse a fuga em massa. Inicialmente foi construída uma cerca, passando, com o tempo, a se estabelecer uma engenharia para bloquear o contato entre as Alemanhas. Era o muro de Berlim sendo erguido, acompanhado por alambrados, torres de vigilância e zonas minadas. Muitos perderam a vida tentando a travessia, é verdade.

Não se trata aqui de defender a construção, manutenção do muro ou de justificar a separação de famílias, mas de pensar que a construção efetiva do muro pelos orientais se deveu também a movimentação do lado ocidental, o qual fazia de tudo para evitar o perigoso avanço comunista, segundo sua visão. É importante contextualizar e pesar as peças do jogo da Guerra Fria, a qual, aliás, espalhou-se pelo mundo com outras formas, mas na mesma perspectiva de segregação de acordo com os interesses dos poderosos locais e globais.

Os vitoriosos do continente americano da Segunda Guerra tiveram o bônus de não terem a guerra em seu território, tendo suas perdas materiais minimizadas. Essa tática foi reutilizada na Guerra Fria. Vietnã, Coréia, conflito Irã-Iraque e demais países foram destruídos, inclusive sua população, sem maiores perdas além das consideradas militares por parte das duas grandes potências. Por isso guerra fria e não quente, pois os dois gigantes dissimulavam sua participação utilizando-se, sempre que possível, dos apoios locais.

Em razão dos desgastes e fracassos e das transformações realizadas na URSS, principalmente pela perestroika (liberalização econômica) e da glasnost (abertura política), os rumos do muro e da Alemanha modificaram. Após essas reformas, ocorre a abertura das fronteiras (09/11/1989) e a reunificação das Alemanhas em 03/10/1990.

De lá para cá, as diferenças entre os alemães que viveram de um lado e de outro persistem e ainda não se encontram bem integrados, afinal de contas o regime capitalista é débil nesse tipo de tarefa. Assim como o fim do apartheid não se resumiria ao simples ato de uma canetada. Tampouco a concentração de renda nos países pobres cessará apenas pela “boa vontade” dos defensores da liberdade.

Um cínico argumento utilizado pelos defensores da liberdade nesse período, criadores da Liga da Justiça para Alguns (ONU), está em clamarem pelo artigo 13 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, desse mesmo organismo internacional de más intenções: “Toda pessoa tem o direito de sair de qualquer país, inclusive do próprio, e a regressar ao seu país”.

Será que é isso que vemos pela Europa e nos EUA?

A fronteira com o México e a maneira com que essas nações tratam os imigrantes é repugnante e em desacordo com qualquer um dos artigos de tal carta de direitos humanos. A meia dúzia de nações que têm poder de veto no Conselho de Segurança , mesmo em certa decadência em termos de hegemonia, é que detém a possibilidade de conduzir os destinos da humanidade. Tentam deter o crescimento de nações em desenvolvimento através de retaliações comerciais, militares e de ameaças veladas.

Aceitaremos a continuidade desse muro como obstáculo aos povos ou criaremos relações de cooperação entre os demais países para mudar nossa história e nos tornarmos novos atores (protagonistas) de nossos destinos?

Nostalgia dos muros visíveis e bem definidos...

América Latina unida!

Proletários do mundo, uni-vos!

Saudações da porção oriental...

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Espírito (do Capitalismo) natalino


 Trechos da música:      Comida

Titãs - Composição: Arnaldo Antunes / Marcelo Fromer / Sérgio Britto

Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?
A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte

A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte...
A gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
Comida é pasto!
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?...
A gente não quer só comer
A gente quer comer
E quer fazer amor
A gente não quer só comer
A gente quer prazer
Prá aliviar a dor...

A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer dinheiro
E felicidade
A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer inteiro
E não pela metade...

Diversão, balé
Como a vida quer
Desejo, necessidade, vontade
Necessidade, desejo, eh!
Necessidade, vontade, eh!
Necessidade...

Inicialmente quero avisar ao amigo leitor que, caso seja apegado demais ao cerimonial natalino, abandone nesse instante a leitura desse texto, pois caso retruque esse conselho, poderá passar a nutrir sentimentos rudes por esse pobre infeliz. Tenho certeza de que nem eu e nem o amigo leitor tem isto como objetivo, por certo!

Àqueles que decidiram por vontade própria prosseguir, peço a gentileza em não levar a mal essas breves considerações que aqui constarão. Prometo (e o leitor verá por seus próprios olhos) que não vou e nem pretendo ferir a fé de tão ilustres amigos. Mesmo porque, pelo menos alguns de vocês, sabem do meu apreço pelo marxismo e pelo cristianismo.
Pois bem! Feitas as explicações e advertências preliminares, vamos ao assunto deste colóquio do “anti-cerimonial natalino”.
Todos sabem que o Natal é a celebração da cultura cristã em razão do nascimento do Cristo (redentor da Humanidade). Repleto de simbolismos de outras eras do cristianismo oficial, nos dias atuais o foco das comemorações sofreu alterações para acomodar os diversos interesses sociais.

A religião já foi nomeada como o ópio do povo, mas o entorpecente mais poderoso ainda é o poder. E “digo” isso pela maneira mesmo com o que os poderosos desde o princípio se apoderam das tradições religiosas ou laicas e as pasteurizam e modificam de acordo com seus interesses de manutenção no poder.
O Império Romano, depois de deixar sua idiota fome por destruir costumes e hábitos das culturas que subjugava, tratou de adotar estratégia sagaz. Tal atitude foi a de consentir e assimilar aspectos culturais de alguns povos dominados, promovendo certo sincretismo.
Relembrando:
O Império Romano passou a tolerar o cristianismo a partir de 313 d.C., com o Édito de Milão, assinado durante o império de Constantino I (do Ocidente) e Licínio (do Oriente), no mesmo dia em que ocorreu o casamento de Licínio com Constantia, irmã do imperador da porção oriental do Império. Com este édito, o Cristianismo deixou de ser proibido e passou a ser uma das religiões oficiais do Império.
O Cristianismo tornou-se a única religião oficial do Império sob Teodósio I (379-395 d.C.) e todos os outros cultos foram proibidos. Inicialmente, o imperador detinha o controle da Igreja. A decisão não foi aceita uniformemente por todo o Império; o paganismo ainda tinha um número muito significativo de adeptos. Uma das medidas de Teodósio I para que sua decisão fosse ratificada foi tratar com rigidez aqueles que se opuseram a ela. O massacre de Tessalônica devido a uma rebelião pagã deixa clara esta posição do imperador. Um dos conflitos entre a nova religião do Império e a tradição pagã consistiu na condenação da homossexualidade, uma prática comum na Grécia antes e durante o domínio romano.
Fonte: Wikipédia
Sabiamente os impérios posteriores ao romano, alguns deles ao menos, sabem que pequenas concessões (migalhas para eles) são relevantes para a manutenção de seu poder, contrangendo os abusados os que contestarem.
Dessa forma passamos pelo final da antiguidade, pelo medievo e por diversas revoluções (ideias e avanços tecnológicos), chegando aos dias de nossa miséria humana. A exploração do homem pelo homem, por diversas vezes foram justificadas pelos criadores e divulgadores do simbolismo natalino, em nome de seu salvador, o filho de Deus. É claro que essa não foi e nem é a única forma de dominação, mas como o mote desse relato é a festa máxima do cristianismo, nosso foco não poderia ser diferente.

A criação de um “bom velhinho” distribuindo presentes a todos, ou melhor, aos que foram bons segundo a moral vigente, foi uma maneira também de estimular o consumo e de justificar (tornar natural) algumas das desigualdades sociais pelo mundo.
A figura nada oportuna de Papai Noel (Nicolau, Santa Claus ou qualquer outra alcunha desse criminoso) não agrega nada realmente relevante às crianças da Terra. Sem contar a tese que adoro, mas que é considerada participante de teoria da conspiração, de que tal figura foi remodelada de acordo com os interesses de marketing de certa empresa de refrigerantes. Sem contar que o velhinho mantém anões escravizados, com jornadas desumanas de trabalho, não têm carteira assinada (pois o dono da fábrica de brinquedos vive fora dos acordos da Organização Internacional do Trabalho - OIT), além de utilizar o já precário meio de transporte com tração animal.

Em tempos em que alguns valores preciosos a todos nós começam a ser realidade, mesmo que de forma tímida (bem tímidos ainda!), precisamos lutar para que sejam aprofundados e distribuídos a todos pelo planeta.

Pensemos:

Ao lado de quem e de quais lutas estaria do dono do aniversário?
Será que defendia que recebessemos migalhas ou morreu para que tornassemo-nos protagonistas de nossas próprias histórias?
Cada qual fará sua reflexão e ponderações...
Saudações natalinas!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Gosto muito, portanto os recomendo...

Quero nesse post recomendar os ótimos blogs de alguns amigos.
São da melhor qualidade e inspiram-me em minhas insanidades:

O estadista de si mesmo:  http://maximo.r.blog.uol.com.br/

Politicamente Incorreto:   http://politicamente.incorreto.zip.net/

Amosfera:  http://amosfera.blogspot.com/

A Caricatura do Brasil:  http://www.acaricaturadobrasil.com/

Por quê a gente é assim?:  http://priscillabranco.blogspot.com/

As aventuras do Cmdt. Marco e o fabuloso exército: http://cmdtmarco.blogspot.com/

Pensamentos Nicolinistas: http://pensenicolino.blogspot.com/

Pare o mundo que eu quero descer! / Rachadura no asfalto:  http://rachaduranoasfalto.blogspot.com/

Luizinho Brito: http://luizinhobrito.blogspot.com/

La vache!: http://vachequebec.blogspot.com/

E gostaria de recomendar dois blogs de jornalistas:

Paulo Henrique Amorim:  http://www.paulohenriqueamorim.com.br/

Luiz Carlos Azenha: http://www.viomundo.com.br/

Há vida inteligente nessa internet.
Aproveitem as ótimas leituras!!!

Saudações rebeldes!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Carta a Robin Williams

Dear Mr. Robin Williams


Venho por meio desta, mui respeitosamente, agradecer o fato de nos lembrar dos nossos defeitos de país subdesenvolvido e manifestar essa reparação pela repercussão negativa cá em nossa pátria.

Sabemos de sua história tão tocante em Hollywood, acompanhamos seus filmes, seu talento nato para a sétima arte e seu magnânimo Oscar como ator coadjuvante pela brilhante atuação no filme “Gênio Indomável”. Trata-se de um grande ator nascido em Illinois, Chicago (EUA).

Somente um país em processo civilizatório incompleto, como é o nosso, poderia se indignar com suas críticas tão afáveis e construtivas. Escusas pelo desagradável fato, Mr. Williams!

Relatemos: esse importante ator estadunidense, em entrevista a David Letterman, aquele mesmo que o programa de Jô Soares imita, disse que o Rio de Janeiro receberá as Olimpíadas de 2016 por termos seduzido os integrantes do Comitê Olímpico Internacional (COI) com 50 strippers e meio quilo de pó, enquanto sua terra natal enviou Oprah Winfrey (apresentadora de programa na TV) e a primeira-dama Michelle Obama, classificando a disputa injusta e desigual.

Não se esqueça de que “Narciso acha feio o que não é espelho” e, apesar de tanto atraso e desapego aos valores nacionais (não pertencimento!), em Copas do Mundo, Olimpíadas e nas ofensas, unimo-nos para tentar resgatar nosso orgulho periférico.

Destratar tão nobre artista, tão nobre e respeitosa cultura, como é de nossos queridos amigos do norte da América, é algo minimamente deselegante e passo a tentar aqui, sem deter procuração popular, retratar-nos.

Justamente nossos “brothers” do norte que proferem discursos e promovem a paz entre nações por meio de sua sábia imposição dos valores democráticos, não deveriam ter essa paga por seu labor.

Além de realizarem tais obras de suma importância, mesmo que não tenhamos consciência disso, não nos deixam sem o devido registro cinematográfico para a posteridade e educação de nossos povos pouco educados.

Exemplificar suas contribuições para a Humanidade fará com que me esqueça de muitas situações, contudo arrisco-me para homenageá-los, com a ressalva de que sabemos que são humildes o suficiente para repartirem sua estupenda atuação com seus aliados (outras nações ou com nossas burguesias nacionais).

Vamos a algumas contribuições desse amável país: segregação racial (Ku Klux Klan), intervenção e formação da ilha de Cuba em seu bordel particular (antes de Fidel), fomentar guerras pela democracia por todo o planeta (Iraque, Afeganistão, por exemplo), sua luta contra o terrorismo e contra os inimigos da democracia liberal, a criação/manutenção (em seus contextos) dos gêmeos Coreia (norte e sul), Alemanha (Ocidental e Oriental), Vietnã (Sul e Norte), intervenção na Colômbia, invasões territoriais para nosso bem, espionagem e rapinagem de territórios dos países nos quais promoveu “guerras civilizatórias” para seu próprio bem e de toda a Humanidade, entre outras tantas.

Não poderia esquecer sua ação no Oriente Médio (terra dos petro-dólares), especialmente na questão palestina. Também não seria honesto esquecermos dos heróis desbravadores do Oeste de seu país, que não enfraqueceram diante das dificuldades, devastaram florestas e exterminaram povos indígenas em nome do progresso e do desenvolvimento.

Não podemos negar que estiveram presentes na vida de nosso país e de nossos vizinhos em períodos críticos, tal como durante o regime militar. Nesse período, seu país, num esforço em nos auxiliar e manter a ordem, apoiou os golpes militares em nosso continente com subsídios “em espécie”, colaborando militarmente, ensinando-nos técnicas avançadas (tortura) para obtermos informações dos agentes subversivos (qualquer suspeito).

Fora sua importante revolução em termos da ampla divulgação e distribuição dos alimentos processados e menos rústicos, tais como: nossos preferidos fast food’s inovadores e shakes para não desperdiçarmos nossos preciosos tempos de produção com tão arcaicos costumes, como boa alimentação e tempo com a família.

Tentamos imitá-los até os dias atuais, mas precisamos reconhecer nosso amadorismo tupiniquim. Nem seu patri(di)otismo soubemos assimilar. Que sabe um dia!?

Mesmo sabendo que temos tantas outras necessidades bem mais urgentes a resolver, tendo como maior exemplo o resgate da imensa dívida social, além da mais que imprescindível precisão em investimentos estruturais e em saneamento básico, além de construir um sentimento de pertencimento, fundando assim, finalmente, o povo brasileiro e a nação, entendendo que nunca tivemos Olimpíadas e nada mudava. Não será o fato de realizarmos ou não esses jogos que nossa história mudará. Certo amigo?

Como forma de nos redimir dessa indelicadeza contumaz, utilizo a fruta símbolo de nossa República para apaziguar os ânimos e para que possamos nos reconciliar. Sei que sua cultura não gosta de consumir tais produtos “in natura”, mesmo se tratando de alimento com casca fácil de tirar e de diversas modalidades, tais como a banana-maçã, banana-da-terra e a nanica. Caso não queira sujar suas mãos civilizadas para consumir fruto tão importante na história deste país e de seu PIB, grande parte de nossa população sentir-se-á honrada em ajudá-lo a consumi-la via anal!

Com afeto,

Apenas um latino-americano stripper.


Yes, nós temos bananas!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

O dia em que a “terra da garoa” parou!



O Dia em que a Terra Parou
Raul Seixas
Composição: Cláudio Roberto / Raul Seixas


Essa noite eu tive um sonho
de sonhador
Maluco que sou, eu sonhei
Com o dia em que a Terra parou
com o dia em que a Terra parou
Foi assim
No dia em que todas as pessoas
Do planeta inteiro
Resolveram que ninguém ia sair de casa
Como que se fosse combinado em todo
o planeta
Naquele dia, ninguém saiu saiu de casa, ninguém
O empregado não saiu pro seu trabalho
Pois sabia que o patrão também não tava lá
Dona de casa não saiu pra comprar pão
Pois sabia que o padeiro também não tava lá
E o guarda não saiu para prender
Pois sabia que o ladrão, também não tava lá
e o ladrão não saiu para roubar
Pois sabia que não ia ter onde gastar

No dia em que a Terra parou (Êêê)
No dia em que a Terra parou (Ôôô)
No dia em que a Terra parou (Ôôô)
No dia em que a Terra parou

E nas Igrejas nem um sino a badalar
Pois sabiam que os fiéis também não tavam lá
E os fiéis não saíram pra rezar
Pois sabiam que o padre também não tava lá
E o aluno não saiu para estudar
Pois sabia o professor também não tava lá
E o professor não saiu pra lecionar
Pois sabia que não tinha mais nada pra ensinar

No dia em que a Terra parou (Ôôôô)
No dia em que a Terra parou (Ôôô)
No dia em que a Terra parou (Uuu)

No dia em que a Terra parou
O comandante não saiu para o quartel
Pois sabia que o soldado também não tava lá
E o soldado não saiu pra ir pra guerra
Pois sabia que o inimigo também não tava lá
E o paciente não saiu pra se tratar
Pois sabia que o doutor também não tava lá
E o doutor não saiu pra medicar
Pois sabia que não tinha mais doença pra curar

No dia em que a Terra parou (Oh Yeeeah)
No dia em que a Terra parou (Foi tudo)
No dia em que a Terra parou (Ôôôô)

No dia em que a Terra parou
Essa noite eu tive um sonho de sonhador

Maluco que sou, acordei
No dia em que a Terra parou (Oh Yeeeah)
No dia em que a Terra parou (Ôôô)
No dia em que a Terra parou (Eu acordei)
No dia em que a Terra parou (Acordei)
No dia em que a Terra parou (Justamente)
No dia em que a Terra parou (Eu não sonhei acordado)
No dia em que a Terra parou (Êêêêêêêêê...)
No dia em que a Terra parou (No dia em que a terra parou)

Hoje foi um dia daqueles na terra da garoa!

Chuva desde a madrugada e perdurando por muitas horas, fazendo dessa metrópole algo próximo às imagens do fim dos tempos. Pobres paulistanos!? Em parte.

É verdade que em apenas um dia choveu mais da metade do que se espera costumeiramente para todo o mês de dezembro. Também é verdade que o projeto de impermeabilização do solo na “Nova Marginal” também foi escolhido com vistas ao período eleitoral, afinal de contas há lugar melhor para colocar plaquinhas eleitorais do que nas marginais Tietê e Pinheiros. Mistura perfeita... quase como beber e dirigir!

Aliás, marginais são nomes péssimos, pois abarcam significados sociais discriminatórios, tais como os que qualificam como meliantes/bandidos ou alguém que está à beira da sociedade, colocado de lado.

Também não estou aqui dizendo que nosso personagem de desenhos e quadrinhos, Kassabinho, tenha toda a culpa pelo ocorrido. E tampouco não é justo empurrar para Deus, São Pedro ou para a Natureza a responsabilidade pelos séculos de falta de planejamento metropolitano (como o bonequinho o fez). O governador de nosso estado, Sr. Burns Serra, esteve ausente o tempo todo e tratou a situação como se nenhuma responsabilidade tivesse em relação ao ocorrido. Não é justo esquecermos que a aliança PSDB-DEM(o) está no poder há décadas, sem contar os anos em que sua mãe PMDB esteve lá também.

Isso é o ápice da cara de pau!

A região metropolitana de São Paulo (na verdade, de todas as capitais importantes do Brasil) foi povoada não em função do planejamento, mas em função dos interesses dos empresários nacionais e internacionais como maneira de acomodar as necessidades produtivas e de negócios na cidade. Não sou eu quem diz isso, basta passear pela história do País, do Estado e da cidade para averiguar tal fato.

A megalomania por grandes obras na cara dos eleitores/espectadores atônitos e sem o menor cuidado em relação ao respeito às condições ambientais fazem com que o erro secular permaneça ainda por muitos anos. Erro dos políticos, mas também dos eleitores/espectadores deslumbrados com o “progresso” desigual e muito questionável.

Em tempos de COP15 – Copenhagen, reunião dos países para discutir questões ambientais (já é a “enésima” nesse sentido e com resultados tímidos até então), não dá para levar a sério que saia daí algo realmente concreto para combater os problemas ambientais de nosso planeta. Até porque nem todas as ONGs (nefastas invenções da sociedade capitalista) tratam realmente seriamente o assunto, sendo “marketeiros”, como alguns políticos, para quem apontam seus dedos. Não gosto de “eco-chatos” ou “eco-terroristas”, embora saiba que somos responsáveis pela lamentável situação planetária. Contudo também li diversas notícias nas útimas semanas sobre interceptações de e-mails de cientistas “renomados” escondendo dados e recomendando boicotes em revistas especializadas a colegas que são adeptos de teoria diferente da deles, informações e estudos a respeito da responsabilidade humana pelo aquecimento global.

Esse espaço não se pretende dono da verdade (porque infelizmente ela não pertence a alguém específico) e sua função é atender meus anseios por me exprimir sobre o que entendo relevante e fomentar discussões interessantes a um seleto grupo de queridos amigos e queridas amigas.

Todavia não resisto em deixar uma sugestão de obra pública para enfrentarmos melhor as enchentes em nossa cidade... segue imagem:


sábado, 5 de dezembro de 2009

Um conto de Natal: Operação Caixa de Pandora


É chegado o momento das comemorações de fim de ano!

Reza a lenda natalina que todos devem colocar suas meias na lareira para que Papai Noel possa colocar os respectivos presentes em cada uma delas. Mesmo em se tratando de um país tropical (“...abençoado por Deus e bonito por natureza...”), o imaginário infantil, quer seja alimentado pela indústria Disney ou por seus genéricos, é constantemente bombardeado por esses estrangeirismos.

Outra lenda diz que os bons meninos e as boas meninas receberão o presente por terem cumprido sua obrigação moral.

Esse preâmbulo foi carinhosamente preparado para colaborar na compreensão da frágil situação vivida por José Roberto Arruda, atual governador do Distrito Federal, eleito pela coligação “Amor por Brasília”, composta pelos seguintes partidos: PP / PTN / PSC / PL / PPS / PFL / PMN / PRONA.

Como é sabido por todos, José Roberto Arruda foi filmado recebendo dinheiro e, posteriormente, denunciado como “cabeça” de um esquema de corrupção denominado pela imprensa burguesa como “Mensalão do DEM” ou “Mensalão do DEMO”, cujo título não passa de mais uma verborragia para desviar atenções e/ou vincular coisas (no formato) nem tão parecidas assim.

Não vou aqui relatar o caso, pois quem se interessar e ainda não tomou conhecimento, pode encontrar na internet, jornais, revistas, TV e rádio dezenas de reportagens sendo escritas sobre o assunto.

Contudo, é importante lembrar que a denúncia novamente, como em casos anteriores, só surge quando integrantes do esquema encontram-se insatisfeitos com seu quinhão no esquema. Surge aí a figura do “boa-vida” Durval Barbosa, seu ex-aliado e ex-secretário de Relações Institucionais, beneficiando-se da delação premiada!

É também verdade que existe a Operação Caixa de Pandora, uma investigação sobre esses atos criminosos, realizada pela Polícia Federal. Mas sabemos que todas as polícias desenvolvem seu papel até o momento em que os poderosos permitem.

Por outro lado, a cultura de “caguetagem” no país é uma das piores opções históricas a que recorremos. Recebe-se prêmios por entregar parceiros de longa data, dedicados às atividades lícitas ou ilícitas.

Judas se matou por entregar seu mano (Jesus) por vinte moedas, além de tantos outros que não suportaram a condição de alcaguete e também deram cabo de suas vidas ou se autoflagelaram até seu triste final. Mas, aqui, a tradição é a da traição, ou seja, premiar os que entregam familiares, amigos e parceiros à sanha de sua fria vingança.

Voltando ao governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, lembro-me dele envolvido no caso da manipulação dos painéis em votações no Senado, juntamente com Antônio Carlos Magalhães. Nessa época, Arruda pertencia aos quadros partidários do PSDB. Deixou a sigla, mas continuou no mesmo campo político.

Além dos maços de dinheiro entregues a Arruda e seus comparsas, ainda existem deputados do DF que recebiam grana do esquema, um deles tendo sido filmado guardando sua porção nas próprias meias (lembra-me outro caso!).

As explicações mais esdrúxulas são sempre as primeiras a serem apresentadas, tais como: trata-se de um complô armado por um petista suíço (homenagem ao ‘construtor’ do Minhocão), edição de imagens, eu não sabia de nada, era para comprar panetones, etc e tal.

Seu vice-governador, Paulo Octávio, é dono de conhecida empresa do ramo de construções e figurinha carimbada em lobbies pela capital federal. Importante notar que as empresas da família do governador e de seu vice lucraram por meio de contratos com o poder público local. Isso sem considerar as artimanhas utilizadas para aprovarem o Plano Diretor da região, além dos respingos em outras administrações do DEM-PSDB-PFL-ARENA, também na gestão de Kassab na capital paulista.

Esses epsódios recorrentes em nossa história, fazem-me lembrar duas obras, uma de Michel Foucault (Microfísica do Poder) e outra de Raymundo Faoro (Os Donos do Poder), pois além de as tramas dessa teia de relações entre os agentes da corrupção (sejam passivos ou ativos) estarem espalhadas por diversas esferas de nossa sociedade, nota-se que, salvo uma ou duas exceções, os donos do País continuam sendo os mesmos, independente de quem governa, pois trata-se de um poder político acima dos político-partidários.

Resta-nos pendurar nossas meias e aguardar nossa ilusão natalina, esse período em que se renovam as esperanças sem fundamento, esperando cair do céu as mudanças que devemos nós mesmos fazer acontecer.

Em 2010, defendo Saci para deputado federal!

Pelo menos, caso ele venha a usar meia, será apenas uma!

Saudações incorruptíveis…



sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

David, Golias e a plateia de consumidores



O motivo principal para interromper meu silêncio é a tal fusão entre Grupo Pão de Açúcar (Extra Eletro, Ponto Frio) e Casas Bahia. Não sou favorável a nenhuma ordem de acumulação de capital nas mãos de poucos, por isso a preocupação e a vontade de escrever/refletir a esse respeito.

Embora seja “o assunto do dia”, trata-se, por um lado, de criar uma empresa muito grande de capital nacional (se é que isso ainda é possível no mundo!) com melhores condições de competir tanto internamente, quanto externamente. Por outro lado, permitir o aumento da participação do grupo nesse seguimento do varejo.

Nesse negócio, o Grupo Pão de Açúcar se valerá da da Globex para se constituir como acionista majoritário dessa empresa.

A proposta deverá ser comunicada à Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae), do Ministério da Fazenda, e à Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça. Tais secretarias terão até 30 dias úteis para análise, verificando se resultará em concorrência desleal em relação às demais empresas do setor, elaborando seu parecer sobre o processo e os encaminhado em seguida ao julgamento do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que elegerá um relator.

Segundo as regras do Cade, o relator terá 60 dias para avaliar e encaminhar o processo a julgamento. Mas esse prazo pode ser zerado pelo próprio relator e começar a contar tudo de novo. Além disso, deve-se levar conta o recesso das festividades natalinas, o qual tem início dia 20/12. Em princípio, o processo só deve dar entrada após 07/01/10, quando o sistema de defesa da concorrência volta a funcionar e seus prazos voltam a correr.

Caso o Cade autorize o “acordo de associação”, o novo gigante do varejo (não que já não fossem grandes concentradores de poder econômico) elevar-se-á à seguinte situação no mercado interno:

Ranking das Empresas

Empresa                                        Faturamento bruto (Em R$ bi)

Petrobras                                                              266,5
Vale                                                                       72,8
Gerdau                                                                   46,7
Pão de Açúcar/Casas Bahia                                      40            
Ambev                                                                    39,7
Eletrobras                                                               32,2
JBS                                                                         31,1
Ultrapar                                                                   29,5
Telemar Norte Leste                                                27,1
Telesp                                                                      23
Fonte: Economatica

Uma singela provocação antes de continuar o assunto: notem que empresas privatizadas no período do ciumento pequeno príncipe (FHC) estão entre as com maior faturamento. Com certeza a “tucanalha” apresentou números subestimados das empresas públicas que queria vender a preço de banana e com nosso dinheiro (via BNDES), no afã de justificar seu projeto neoliberal de Estado Mínimo.

Retomemos em seguida o tema central.

Observe uma das estratégias que o Grupo Pão de Açúcar vem realizando para eliminar seus antigos concorrentes, criando monopólios. Aquisições do grupo Pão de Açúcar:

ANO       EMPRESA

1976       Eletroradiobraz
1978       Peg Pag
1978       Mercantil São José
1978       Superbom
1980       Fórmula G
1997       Mambo
1997       Ipical
1997       Pamplona
1997       Freeway
1998       Barateiro
1998       Milo's Comercial
1998       SAB
1998       G. Aronson
1999       Rede Peralta
2001       Rede ABC
2002       Rede Sé
2003       Casa Sendas
2004       Copercitrus
2007       Rossi Monza
2007      Assai
2009      Ponto Frio
2009      Casas Bahia


Será que realmente a intenção é, como “prega” o receituário (neo)liberal, melhorar as condições de disputa nos cenários nacional e internacional, melhorando também preços e condições para os consumidores finais? Sinceramente duvido. Apenas facilitará a concentração de renda e propriedade nas “mãos de meia dúzia” dos já abastados empresários nacionais, aliados dos capitalistas internacionais.

Ao contrário do que os neoliberais gostariam, esperamos que o Estado brasileiro analise a possível fusão ou seu impedimento, tendo em vista os interesses do povo brasileiro (chamados pelos capitalistas de consumidores, embora sejam diferentes, sociologicamente diferentes) e não por meio das diversas formas de pressão e do tráfico de influência presentes inclusive no Congresso Nacional.

Será a reedição da batalha bíblica entre David e Golias?

Quem será David e quem será Golias nessa história?

E, além do Estado, será que a tal “sociedade civil organizada” irá se posicionar ou se esconderá ou será apenas mero espectador dessa arena romana?

Aguardemos as cenas dos próximos episódios...

sábado, 28 de novembro de 2009

Sobre o vazio e o nada


“Qual é o sentido da vida?

- Mas faça isso logo, tenho um importante encontro em meia hora”


Vazio – adj. 1. Que não contém nada; vácuo, vão. 2. Despovoado, desabitado. 3. Fig. Frívolo, vão. 4. Fig. Falto de inteligência. 5. Fig. Falto, destituído. * sm. Espaço não ocupado por coisa alguma.


Nada – pron.indef. 1. Nenhuma coisa. * adv. 2. De modo nenhum. *sm. 3. A não existência. 4. V. ninharia.

Fonte: míni Aurélio – 6º edição, Ed.Positivo

Não gosto de iniciar uma “conversa” me desculpando... mas devo aos caros amigos alguma satisfação sobre meu desaparecimento... aviso a todos que não estive no Uruguai com Belchior! rs

Além dos afazeres de minha prática e registros pedagógicos, estive ausente nesse espaço em função da necessidade reflexiva, tarefa a qual todo ser humano necessita se dedicar por diversas vezes (talvez com as digníssimas exceções de Carla Peres, Luciana Gimenez e demais membros dessa seleta confraria).

Calei-me sobre o desempenho decepcionante de meu amado Palestra Itália, a morte de Celso Pitta, as trapalhadas tucanas no Rodoanel, o dia da Consciência Negra, entre outros eventos relevantes. E, como já me calei, permanecerei assim acerca deles.

Aos bondosos amigos que tanto me incentivam a continuar a escrever insanidades nesse espaço virtual, agradeço o carinho e o compromisso e brevemente voltarei a minha forma cínica e rebelde e registrarei aqui meus devaneios, como fiz até o momento.

Além do trabalho ligado a educação, o que me consome são dúvidas existenciais, amorosas, profissionais e sociais. E ainda estou no processo de desvinculação da minha antiga posição em relação ao cristianismo.

Enfim, o tempo e a sanidade não têm sido meus aliados nesses últimos dias e, além disso, o período de final de ano colabora para esse clima melancólico.

Em função disso, passei a pensar sobre o nada e o vazio, mesmo tendo convicção de que minha inteligência mediana não alcança a transcendência de tais conceitos. Por isso recorri ao generoso “pai dos burros” para que me socorra com seus conceitos hermeticamente fechados!

Tão logo recupere minha sanidade, retorno a minha Ágora particular e virtual.

Saudações a todos e todas!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A tristeza de mais um Jeca


Vide vida marvada

Renato Teixeira
Composição: Rolando Boldrin

Corre um boato aqui donde eu moro
Que as mágoa que eu choro são mal ponteadas
Que no capim mascado do meu boi
A baba sempre foi santa e purificada
Diz que eu rumino desde menininho
Fraco e mirradinho a ração da estrada
Vou mastigando o mundo e ruminando
E assim vou tocando essa vida marvada

É que a viola fala alto no meu peito humano
E toda moda é um remédio pros meus desenganos
É que a viola fala alto no meu peito, mano
E toda mágoa é um mistério fora desse plano
Pra todo aquele que só fala que eu não sei viver
Chega lá em casa pruma visitinha
Que no verso e no reverso da vida inteirinha
Há de encontrar-me no cateretê

Tem um ditado dito como certo
Que cavalo esperto não espanta a boiada
E quem refuga o mundo resmungando
Passará berrando essa vida marvada
Cumpadi meu que inveieceu cantando
Diz que ruminando dá pra ser feliz
Por isso eu vagueio ponteando
E assim procurando minha flor-de-liz
É com a singela e bela música do cancioneiro popular que dou início ao meu lamento...


Escrever sobre a tristeza de um torcedor seria injusto diante das agruras do mundo, contudo “para o brasileiro o futebol é, dentre as coisas menos importantes, a mais importante” (não sei de quem é a ótima análise) e por isso utilizo esse espaço para tal tarefa.

Apenas pretendo demonstrar mais esse descontentamento e quem me conhece e porventura estiver aqui lendo, talvez entenda o porquê de meus sentimentos. Talvez! Também não quero ser entendido e nem tampouco consolado.

A ideia aqui não é esclarecer, mas confundir. Ninguém recebe de fato tudo pronto e acabado e o final não é e nem será feliz.

A ética de nossos tempos admite uma série de injustiças, protegida pela moral darwiniana, pela liberal ou, ainda, pela moral “judaico-cristã-ocidental”, todas representando o mesmo repertório cultural. Não posso esquecer das injustiças alimentadas pela porção oriental.

Não que nunca tenha jogado esse jogo, mas todos que enxergam um pouco à frente, cansam-se dessa horrenda realidade e, alguns, revolvem se mexer para lutar por mudanças, outros desistem à beira do caminho.

Misture juízes ladrões, falta de vontade, “corpo mole”, congressistas corruptos, coronelismo, clientelismo, alienação, passividade e uma porção de pessoas adotando a tática do “jeitinho brasileiro”, que, aliás, não é nossa exclusividade, embora queiram nos empurrar goela abaixo.

Nesse momento em que já ultrapassei minha terceira década de existência no planeta, encontro-me com menos esperança e me reconheço mais próximo das figuras de Jeca Tatu e Macunaíma... quase um anti-herói!

Entrego a todos meu sincero cinismo e minha rebeldia!

O mundo criou e recebe nesse momento mais um ateu, agnóstico, iletrado, insurrecionado em suas terras.

Viva o Caos!

Agora, resta-me aguardar o derretimento das "calotas polares" e aproveitar as futuras praias paulistanas.

Encerro aqui esse desabafo... apesar de toda desesperança, continuarei resistindo!

sábado, 14 de novembro de 2009

O que se passa debaixo dos caracóis de seus cabelos, Caetano?




Não gostaria de novamente ser pautado pela imprensa liberal, mas não resisti em fazê-lo por envolver sentimentos artísticos e políticos. Tratarei aqui, com muito pesar, sobre a tristeza de uma opinião obediente. Vamos a mais essa polêmica.

Caetano Veloso, ao ser entrevistado pelo “diário oficial do conservadorismo” (Estadão), em período de divulgação da volta de seu show a São Paulo, aproveitou para declarar sua intenção de voto e tentar atrair as atenções para seu próprio umbigo.

Gostaria de pontuar uma questão aqui, apesar do meu nítido e declarado “analfabetismo cultural”. Tal ponto é o fato de que parcela dos artistas sentem a necessidade de estar sempre em evidência e influenciar ou arrancar suspiros de suas tietes, inclusive através de suas “privilegiadas e autênticas” visões de mundo.

Ao mesmo tempo em que ele zomba do presidente da República (o chamando de analfabeto, grosseiro e cafona) pela sua formação e origem populares, origem estranha a Caetano, ele perde a mão nas críticas. Acredito que, mesmo àqueles que não são seus fãs, nunca imaginaram tal ícone do Tropicalismo destilando preconceitos.

Ele prossegue sua postura esnobe e pedante ao citar que leu matérias na revista “The Economist” e o jornal “The New York Times” sobre como o país é percebido pelo mundo ocidental e ao esperar para o país um “governante ideal” como alguém que seja a mistura de Obama e Lula, sendo Marina Silva a representação dessa sua vontade.

Não vejo problema algum no fato de ele expressar sua opinião, inclusive declarando sua intenção de voto, acho isso importante, principalmente em um país onde grande parcela prefere mensagens subliminares ou expressá-las através de matérias opinativas disfarçadas de verdade dos fatos. Contudo essa visão de “brazilianista” que apresenta é que é lamentável.

Por ser liberal declarado, não gosta de muitas interferências do Estado na vida das pessoas, embora a história mostre que isso tem sido fundamental ao desenvolvimento humano. Parece menosprezar também a política e acaba por encarar o Estado como algo que concentra poderes, o que qualifica como algo ruim.

Ele, que parece se orgulhar de seu repertório cultural e erudito, poderia reler Michel Foucault e entender que o poder encontra-se impregnado em todas as relações humanas, não estando restrito ao Estado.

Seu discurso preconceituoso, em espaço aberto pelo santuário da mediocridade paulistana, exerce poder e forma opinião de certa forma. Isso não é poder???

Com certeza, caso fosse de seu agrado, sua opinião e sua ação teriam contribuído muito para escancarar e criticar as estruturas de poder da família Magalhães, denunciando e combatendo o coronelismo em seu estado. O que não o faz com veemência, aliás até nutrindo certa simpatia por tais conterrâneos.

Enfim, vai viver para contar e recontar seu triste auto-exílio em Londres, enquanto companheiros eram torturados e mortos lutando pelo fim da ditadura militar. Sendo merecedor de uma composição de Roberto Carlos, “rei” e ícone da alienação da Jovem Guarda.

Ao contrário do que o periódico afirma, através da jornalista Sonia Racy, o passar de tempo não parece ter lhe trazido tanta sabedoria assim. Enfim, prefiro ficar com a versão da década de 1960 de Caetano e de sua canção que dizia: É proibido proibir!

Saudações cafonas...

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Ode a burguesia



Só para quebrar o lado sisudo de minh'Alma, refletido aqui nesse blog, abrimos espaço ao poeta:

Vida Fácil - Cazuza

Tim-tim!

A tua corte agradece
Um brinde!
O nosso astro merece
Ao teu fã-clube fiel
Dá autógrafo em talão de cheques

Big boss
Tua mão aberta enobrece
Dignifica
Nós que sonhamos em espécie
Classic vira rolex
Sob o luar do teu deck

Só festa "relax"
Boca livre na certa
Robin Hood gentil da galera
Protetor das artes práticas
Valorizando quem sabe
Levar vida fácil, fácil
Vida fácil

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Os Trópicos mais tristes...




Na noite de sábado para domingo morreu em Paris (França), aos cem anos de idade, um dos grandes pensadores do século XX, Claude Lévi-Strauss. Seu legado estruturalista ficará para os cientistas, sobretudo das humanidades.

Nascido em Bruxelas (Bélgica) em 28/11/1908 teve sua carreira acadêmica ligada à França, EUA e Brasil, países nos quais deixou marcas de suas análises inovadoras.


Morou e lecionou no Brasil (na recém criada USP) entre os anos de 1935 a 1939, tendo excursionado pela região central do país e pela Amazônia e, dessas suas experiências e pesquisas, resultou o livro Tristes Trópicos.

Combateu o “umbigocentrismo” (etnocentrismo ocidental) e tratou os ameríndios e seu pensamento em pé de igualdade com os demais sistemas culturais.

Sua passagem pelo Brasil deu-lhe fôlego para analisar as diferenças culturais com mais benevolência e proporcionando aos povos ameríndios o estatuto de seres humanos autônomos e completos (tanto quanto os europeus), diferentemente da visão européia vigente desde os primeiros contatos com o Novo Mundo.

Na antropologia, trata-se de uma metodologia (estruturalismo) que prioriza as estruturas (sociais, políticas, lingüísticas) na interpretação de um sistema, em detrimento de fenômenos individuais. Os seres humanos são vistos menos individualmente do que como elementos das teias de relações de que participam.

Pretende entender a realidade social através de um conjunto formal de relações e inter-relações (estruturas) pelas qual um significado é produzido dentro de uma cultura.

De acordo com esta metodologia, os significados são produzidos e reproduzidos em uma cultura por meio de práticas, fenômenos e atividades que formam um sistema de significação.

Dentre sua importante e vasta obra, destacamos: As Estruturas Elementares do Parentesco (1949), Antropologia Estrutural – vol.1 (1958) e vol.2 (1973), Raça e História (1952), O Pensamento Selvagem (1962), Tristes Trópicos (1955), o Cru e o Cozido (1964) e Mitológicas (1964-71).

Em minhas duas experiências acadêmicas, a primeira na PUC/SP e a segunda na FESP, deparei-me com sua fundamental contribuição na formação do cientista social (antropólogo, sociólogo e cientista político). Mas também é inegável sua importante colaboração para se estabelecer o diálogo entre essas disciplinas com a lingüística, a semiótica, a psicanálise, entre outras.

Resta-nos agora dizer ao professor Claude Lévi-Strauss:

Bon voyage, Claude...