segunda-feira, 30 de março de 2015

Uma questão de alegoria

Preso na caverna estou desde Platão
A realidade que chama de sombras
É meu cotidiano e meu conhecimento
Sei que tu possuis outra visão de mundo
E julgo ser fruto de sua própria loucura
Embriaguez por conta do abuso da luz
Ao se afastar de nós, tornou-se diferente
Pensa ser mais do que sua antiga gente
Reflita bem sobre sua nova condição
Liberdade para ti e para nós traição

VRJ - poema escrito em 11/05/2013.

sábado, 28 de março de 2015

Para o dia de hoje
Nem jornais, nem revistas
Nada além da boa chuva
E da dor de cabeça
Minha eterna visita
Por isso, domingo
Vá logo embora
Por favor, não insista
Semana nova começa
Palco para novas crises
E outras coisas esquisitas

VRJ - poema escrito em 05/05/2013.

quinta-feira, 26 de março de 2015

1º de Maio(ria)

Na noite do primeiro reluzente
Maio da maioria trabalhadora
Manifesto o repúdio que sentimos
Pela classe que nos é a opressora
Fim dos privilégios e do nosso sortilégio
Novo homem, nova vida para nós
Numa revolução que seja permanente 
Que se desdobra na luta do dia-a-dia
Apresentando-se por toda a história humana
Esclarecendo a todos o abuso que sofremos
Até mesmo a classe medíocre que surgiu
E pelas migalhas colhidas do que sobra
Não se vê explorada como nossa gente

VRJ - poema escrito em 01/05/2013.

terça-feira, 24 de março de 2015

Ignorância, a santa

Melhor aprender mais a cada dia
Que viver da certeza que é mentira
A cada nova dúvida, uma convicção
Por mais que conheça, nada novo é vão
Mas porque me prender aos dogmas
E viver em um céu ilusório na solidão
Chantagem do bem e do mal não é bom
A justiça não serve a todos os homens 
Somente àqueles que o dinheiro apraz
Mas abranda seu coração, meu irmão
Enquanto você trabalha e gera riqueza
Há um conluio entre o pastor e o patrão

VRJ - poema escrito em 02/05/2013.

domingo, 22 de março de 2015

Cumplicidade na renúncia

Pensei que só acontecia
Com pompa e galhardia
Mas saiu da história e veio
Atrapalhar-me a vida
Deixar de lado pode ser
Renúncia ou covardia
Mas se for para o bem
Deixemos isso para o além
Acertamos os ponteiros agora
Trancamos juntos nossa história

VRJ - poema escrito em 28/04/2013.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Validade e saudade

A paixão vence sempre
E isso é mesmo preciso
Tem sua data de validade
Com pontualidade britânica

Mas a saudade é mais forte
Independe daquela tal sorte
Dá sentido para a existência
Quando nem mais se apresenta

VRJ - poema escrito em 28/04/2013.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Adeus, bom senso

Bom senso faz parte do meu estilo
No entanto, a regra foi quebrada
E onde quer que você vá, estarei
Obsessivo desamor que me fere

Mesmo tendo você aberto a vida
Tranquei o coração mostrando a todos
Que o orgulho no meu peito fala alto
E não há nobreza nesse jeito de viver

A ferida gangrena o meu ser
E nem me vejo triste adoecer
Talvez meu destino seja não ser

Ao lado a única arma que me resta
Mas a vejo longe, através daquela fresta
Que chegue logo, ó, esperança manifesta

VRJ - poema escrito em 28/04/2013.

terça-feira, 17 de março de 2015

Problema clássico

A civilização nos propõe a questão
Qual seria a mais desejada opção?
Um governo de homens bons
Ou um governo de boas leis
Hesito em escolher tais opções
Prefiro acreditar em outra solução
Bons homens não precisam de leis
Mas penso que tais homens virtuosos
Ainda não pisaram nosso solo

VRJ - poema escrito em 27/04/2013.

domingo, 15 de março de 2015

Elogio a utopia

A etimologia sugere apenas o não lugar
Contudo ela ultrapassa essa acepção
Trata-se de outra questão a averiguar
Versa sobre buscar o mundo que se quer
Um desejo que temos esperançosamente
E, ao persegui-lo, perdemos muito pouco
Em vista do atrevimento de ganharmos o mundo
Não nasce da cabeça iluminada do doutor
Mas da observação crítica do admirável louco
E quando a utopia se cumpre coletiva
Abre as asas e decola como a vida
Enaltecendo a vitória dos antes explorados
Sobre a ganância dessa gente perversa 

VRJ - poema escrito em 23/04/2013.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Para quem não tem luz própria
Lamparina, vela, amargura e fofoca
Acaso fique feliz pelas vitórias
Dos amigos em dias de glória
Contentamento, liberdade, amor e revolução

VRJ - poema escrito em 20/04/2013.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Enquanto devia eu lutar
Vi meu corpo dilacerar
Não era golpe do oponente
Tratava-se de fogo amigo
Assim não pude me refazer
Chorando passei a me recolher
Prefiro perder essa batalha inglória
A entregar minha dignidade histórica

VRJ - poema escrito em 19/04/2013.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Complexidades

A complicação do amor
Tapeia sua simplicidade
Mas como penso ser difícil
Por vezes anormal e incomum
Não o compreendo tal sentimento
Mas em algum mundo paralelo
Estou repleto de entendimento
E feliz em seu belo concerto
Mas sem enfrentar meus desenganos
Vivo escravo de antigos planos
Que me sentenciam a pena de vida
Caminhando sem ter nenhuma pista
E recebendo punição exemplar
Rebaixando a maioridade penal
Para apenas uma indistinta vida

VRJ - poema escrito em 18/04/2013.

sábado, 7 de março de 2015

Maratona de bombas

Não há a verdade absoluta
Mas pela dominação absurda
Inventam guerras birutas
Seja em nome da divindade
Ou mesmo pelo poder secular
O proletário come e dorme mal
A realidade não deveria ser assim
Entretanto me parece que é de Boston
E a Coréia do Norte é o meu quintal
Quem lê a Veja defende o rebaixamento
Vendo solução na redução da idade penal
Sendo na verdade apenas aprofundamento
Do Apartheid nosso de cada dia
Decretando nossa falência social

VRJ - poema escrito em 17/04/2013.

terça-feira, 3 de março de 2015

E o pão nosso de cada dia
Transformar-se-á em alegria
Mas não bastará para libertar
Há a causa justa para lutar
Culpar o semelhante não resolve
Remova seu ódio e decida
Hoje vamos derrubar a burguesia

VRJ - poema escrito em 14/04/2013.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Lembrança de outro tempo

Talvez tenha sido a ação do tempo
Ou mesmo a triste verdade
De que para ela meu amor nunca foi
Não é e nem será contentamento
A culpa é de quem não escolhe
Esconde-se e rápido se encolhe
Dessa forma não pode ser eleito
Desiste antes de ver suas cartas
Condena-se ao retumbante fracasso
E ainda curte a fossa e o arrependimento

VRJ - poema escrito em 14/04/2013.