terça-feira, 29 de dezembro de 2009

A redemocratização incompleta – mais um pouco de história


O povo é ilegal! Charge do cartunista Henfil sobre mobilização popular em favor das eleições diretas para presidente da República (1984).


Retomando a perspectiva do último texto deste blog, vale a pena revisitar outro fato relevante, sobretudo para nosso país, qual seja a redemocratização. Encaixa-se se entendermos que certa democracia anteriormente tenha de fato ocorrido. Não tenho plena convicção se ocorre mesmo nos dias atuais, embora saiba que isso é polêmico.

Após os terríveis anos de chumbo, ou seja, a ditadura militar (“ditabranda” é o caralho, Folha de SP!) que teve início com o golpe de 1964, os militares desgastados e desgostosos com a situação quiseram se livrar dos problemas que eles mesmos criaram para o país. Resolveram “atender aos anseios do povo”, mas promovendo a redemocratização de forma lenta, gradual e segura (para eles, é claro).

Com a chegada do General João Baptista Figueiredo a presidência, os militares pretendiam livrar-se do “pepino” que era governar um país em crise. Os primeiros movimentos foram a Lei da Anistia promulgada em agosto de 1979 e que, além de beneficiar àqueles que outrora foram perseguidos e cassados, beneficiou os militares que cometeram torturas e assassinatos, pois essa medida protegeu esses facínoras à serviço da “moral e dos bons costumes”.

Livraram-se também da crise econômica em que jogaram o país: dívida externa gigante, inflação tão grande quanto, concentração fundiária e alto índice de desemprego. Todos esses fatores agitavam a sociedade brasileira e a insatisfação promoveu grandes movimentos populares na luta pela redemocratização.

Em 1984, a campanha “Diretas já!” foi o grande movimento que articulou partidos políticos, movimentos ligados à Igreja Católica, sindicatos de trabalhadores, entidades científicas, estudantes, parte da imprensa, universidades, dentre outros, na luta pela volta da democracia. Embora retumbante, as eleições subsequentes aconteceram em 1985 e de forma indireta (pelo Colégio eleitoral – Congresso).

Tancredo Neves foi eleito presidente, mas não conseguiu ser empossado devido ao fato de ter sido acometido por doença e morrer antes de sua posse (circunstâncias esquisitas!). Tomou posse seu vice, José Sarney (nosso conhecido bigodudo). Seu governo tentou domar a crise econômica brasileira e promover as reformas democratizantes, contudo não atingiu êxito nas tarefas.

Embora a Assembléia Constituinte tenha se reunido e a Constituição de 1988 tenha sido promulgada em seu governo, sua marca foi a hiperinflação, seu bigode e o lema: “Tudo pelo social”.

Em 1989 acontece o "show da democracia", ou seja, as eleições diretas para presidente, não obstante tenhamos passado por eleições diretas para governador (1982) e para prefeito (1988).

Temendo uma vitória do candidato ligado às camadas populares e, sem ter seu candidato oficial em condições de vencer o pleito, surge uma aposta dos poderosos por um governador das Alagoas, com fama de “caçador de marajás” como plano b. Até a imprensa oficial televisiva (globo) acaba por dar um jeitinho de ajudar na eleição mais “collorida” da história do país, sem contar o jogo sujo realizado durante a campanha presidencial pelos adversários de Lula.

Fernando Collor confiscou poupanças, lançou moeda, iniciou a política neoliberal e perdeu para a inflação e para os escândalos de corrupção, terminando, após desgastante processo de impeachment, renunciando. Mesmo assim foi julgado e condenado pelo Senado, tendo seus direitos políticos cassados.

Esse balde de água fria em que lutou tanto para escolher através do voto direto seu presidente, aliado a calamidade em que se encontrava o país, abalou a relação entre representantes e representados.

Itamar Franco, vice de Collor, assume a presidência e herda os graves problemas não resolvidos pelo seu antecessor. Nomeou o tucano FHC para o Ministério da Fazenda e implementou o Plano Real para estabilizar a economia e o plano conseguiu elege-lo (o então ministro) na eleição seguinte, a qual se avizinhava.

A partir daí, além das constantes denúncias de corrupção, tais como “os anões do orçamento”, a compra de votos para a emenda constitucional para re-eleição, o caso Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia) e a CPI dos bancos elevaram ainda mais a desconfiança da população em relação a seus representantes, tornando a classe política alvo de desprezo.

As reformas neoliberais, privatizações de estatais estratégicas  a preço de banana e financiadas (pagas com nosso dinheiro!) pelo BNDES acabou por implementar uma versão tupiniquim do Estado mínimo, entendendo a interferência do Estado na economia como algo ruim. Aliança PSDB/PFL (atuais DEMos) e com aval dos pMDBistas.

Sem conseguir avançar quase nada nas questões sociais prementes, o que era de se esperar acontece, a oposição vence as eleições e o primeiro presidente oriundo das camadas populares chega à presidência com a principal tarefa de promover a transformação social, da continuidade à estabilidade da economia, promovendo desenvolvimento e distribuição de renda.

Lula conduz o país, embora abalado por denúncias de corrupção de parte de seus aliados, com crescimento, distribuição de renda através do programa Bolsa Família e alta popularidade.

Ainda que as desigualdades sociais persistam e seja o grande desafio brasileiro, o país passou a ser importante ator no cenário internacional, liderando diversas propostas e projetos tanto em nosso continente, quanto nas mais relevantes negociações internacionais.

Além de ser chamado pelo presidente estadunidense (Barack Obama) como “o cara” , tem recebido reconhecimento internacional e obteve êxito em trazer dois dos maiores eventos esportivos do planeta para terras brasileiras, que são a Copa do Mundo de Futebol em 2014 e os Jogos Olímpicos Rio 2016!

Relembrando o clássico “O Príncipe” de Nicolau Maquiavel, penso que talvez Lula tenha conseguido juntar virtù e fortuna.

Mas a história não termina por aqui, pois as dívidas sociais históricas do Brasil precisam ser aceleradamente resolvidas, tais como distribuição das riquezas de forma justa, reforma agrária, fim dos monopólios nas comunicações, maior participação popular, investimentos em saúde e educação públicas, melhoria no transporte de nossa produção, dentre tantos outros.

Democracia e cidadania, embora criações do Velho Mundo, terão espaço aqui desde que se invertam as prioridades e se estabeleça um regime de justiça social, através também da quebra de privilégios da burguesia nacional (urbana e rural), da burocracia estatal e dos acomodados com migalhas (classe média).

Solução definitiva só acontecerá, a meu ver, caso a população participe da vida pública do país e faça a oportuna cobrança das esferas estatais, mas também dos grupos privados, para que não continuem sobrepondo seus interesses em detrimentos aos da população.


Saudações inacabadas...

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Sobre muros visíveis e o isolamento quase invisível – um pouco de história




“História é passado e presente, um e outro inseparáveis.”


Fernand Braudel



“Existe uma civilização mundial, saída da civilização ocidental, que desenvolve o jogo interativo da ciência, da técnica, da indústria e do capitalismo e que comporta um certo número de valores padronizados.”

Edgar Morin
O ano de 2009 marca os 20 anos de fatos históricos pelo mundo e pelo Brasil, portanto, mesmo agora em seu crepúsculo, gostaria de dividir com meus amigos leitores algumas reflexões sobre alguns desses eventos.

Nessa conversa gostaria de refletir sobre a queda do muro de Berlim, a reunificação e o fim da Guerra Fria. Eventos esses interligados e que são utilizados maldosamente e intencionalmente pela nação dos cães infiéis (EUA) e por seus boçais aliados para decretar a morte do Socialismo.

Antes mesmo da rendição alemã e do fim da Segunda Grande Guerra, os líderes das três principais potências mundiais (Churchill/Inglaterra, Rooselvet/EUA e Stálin/URSS) reuniram-se em fevereiro de 1945 em Yalta (Ucrânia) para redefinir o mapa europeu no pós-guerra. Formalizaram tal divisão na Conferência realizada em Potsdam (Alemanha), incorporando no tratado a França (também vencedora da guerra) em julho de 1945. Sendo o país derrotado dividido em 4 zonas de ocupação, uma para cada uma das nações vitoriosas.

Em 1949 o território alemão passou a ser dividido em dois países, República Federal Alemã (Alemanha Ocidental) e República Democrática Alemã (Alemanha Oriental). O primeiro sob a tutela dos EUA e o segundo sob a égide do socialismo soviético. Inclusive a capital até o momento, Berlim, foi dividida entre as duas potências. Não seria diferente, pois o clima de hostilidade se acirrou também em função dessa disputa.

Com altos investimentos na região para a recuperação européia e, sobretudo, na Alemanha Ocidental, sua nova vitrine capitalista, houve rápida modernização e as novidades em forma de rótulos e a chegada de produtos do “american way of life” promoveram grande migração da população da porção oriental para a ocidental. Entre 1952 e 1961, calcula-se a migração de aproximadamente 2,5 milhões de pessoas, buscando o “sonho americano”.

Para evitar que a sedução da propaganda capitalista acabasse por arruinar os planos soviéticos de influência na Europa, em 1961 decidiu-se criar algo que impedisse a fuga em massa. Inicialmente foi construída uma cerca, passando, com o tempo, a se estabelecer uma engenharia para bloquear o contato entre as Alemanhas. Era o muro de Berlim sendo erguido, acompanhado por alambrados, torres de vigilância e zonas minadas. Muitos perderam a vida tentando a travessia, é verdade.

Não se trata aqui de defender a construção, manutenção do muro ou de justificar a separação de famílias, mas de pensar que a construção efetiva do muro pelos orientais se deveu também a movimentação do lado ocidental, o qual fazia de tudo para evitar o perigoso avanço comunista, segundo sua visão. É importante contextualizar e pesar as peças do jogo da Guerra Fria, a qual, aliás, espalhou-se pelo mundo com outras formas, mas na mesma perspectiva de segregação de acordo com os interesses dos poderosos locais e globais.

Os vitoriosos do continente americano da Segunda Guerra tiveram o bônus de não terem a guerra em seu território, tendo suas perdas materiais minimizadas. Essa tática foi reutilizada na Guerra Fria. Vietnã, Coréia, conflito Irã-Iraque e demais países foram destruídos, inclusive sua população, sem maiores perdas além das consideradas militares por parte das duas grandes potências. Por isso guerra fria e não quente, pois os dois gigantes dissimulavam sua participação utilizando-se, sempre que possível, dos apoios locais.

Em razão dos desgastes e fracassos e das transformações realizadas na URSS, principalmente pela perestroika (liberalização econômica) e da glasnost (abertura política), os rumos do muro e da Alemanha modificaram. Após essas reformas, ocorre a abertura das fronteiras (09/11/1989) e a reunificação das Alemanhas em 03/10/1990.

De lá para cá, as diferenças entre os alemães que viveram de um lado e de outro persistem e ainda não se encontram bem integrados, afinal de contas o regime capitalista é débil nesse tipo de tarefa. Assim como o fim do apartheid não se resumiria ao simples ato de uma canetada. Tampouco a concentração de renda nos países pobres cessará apenas pela “boa vontade” dos defensores da liberdade.

Um cínico argumento utilizado pelos defensores da liberdade nesse período, criadores da Liga da Justiça para Alguns (ONU), está em clamarem pelo artigo 13 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, desse mesmo organismo internacional de más intenções: “Toda pessoa tem o direito de sair de qualquer país, inclusive do próprio, e a regressar ao seu país”.

Será que é isso que vemos pela Europa e nos EUA?

A fronteira com o México e a maneira com que essas nações tratam os imigrantes é repugnante e em desacordo com qualquer um dos artigos de tal carta de direitos humanos. A meia dúzia de nações que têm poder de veto no Conselho de Segurança , mesmo em certa decadência em termos de hegemonia, é que detém a possibilidade de conduzir os destinos da humanidade. Tentam deter o crescimento de nações em desenvolvimento através de retaliações comerciais, militares e de ameaças veladas.

Aceitaremos a continuidade desse muro como obstáculo aos povos ou criaremos relações de cooperação entre os demais países para mudar nossa história e nos tornarmos novos atores (protagonistas) de nossos destinos?

Nostalgia dos muros visíveis e bem definidos...

América Latina unida!

Proletários do mundo, uni-vos!

Saudações da porção oriental...

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Espírito (do Capitalismo) natalino


 Trechos da música:      Comida

Titãs - Composição: Arnaldo Antunes / Marcelo Fromer / Sérgio Britto

Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?
A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte

A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte...
A gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
Comida é pasto!
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?...
A gente não quer só comer
A gente quer comer
E quer fazer amor
A gente não quer só comer
A gente quer prazer
Prá aliviar a dor...

A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer dinheiro
E felicidade
A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer inteiro
E não pela metade...

Diversão, balé
Como a vida quer
Desejo, necessidade, vontade
Necessidade, desejo, eh!
Necessidade, vontade, eh!
Necessidade...

Inicialmente quero avisar ao amigo leitor que, caso seja apegado demais ao cerimonial natalino, abandone nesse instante a leitura desse texto, pois caso retruque esse conselho, poderá passar a nutrir sentimentos rudes por esse pobre infeliz. Tenho certeza de que nem eu e nem o amigo leitor tem isto como objetivo, por certo!

Àqueles que decidiram por vontade própria prosseguir, peço a gentileza em não levar a mal essas breves considerações que aqui constarão. Prometo (e o leitor verá por seus próprios olhos) que não vou e nem pretendo ferir a fé de tão ilustres amigos. Mesmo porque, pelo menos alguns de vocês, sabem do meu apreço pelo marxismo e pelo cristianismo.
Pois bem! Feitas as explicações e advertências preliminares, vamos ao assunto deste colóquio do “anti-cerimonial natalino”.
Todos sabem que o Natal é a celebração da cultura cristã em razão do nascimento do Cristo (redentor da Humanidade). Repleto de simbolismos de outras eras do cristianismo oficial, nos dias atuais o foco das comemorações sofreu alterações para acomodar os diversos interesses sociais.

A religião já foi nomeada como o ópio do povo, mas o entorpecente mais poderoso ainda é o poder. E “digo” isso pela maneira mesmo com o que os poderosos desde o princípio se apoderam das tradições religiosas ou laicas e as pasteurizam e modificam de acordo com seus interesses de manutenção no poder.
O Império Romano, depois de deixar sua idiota fome por destruir costumes e hábitos das culturas que subjugava, tratou de adotar estratégia sagaz. Tal atitude foi a de consentir e assimilar aspectos culturais de alguns povos dominados, promovendo certo sincretismo.
Relembrando:
O Império Romano passou a tolerar o cristianismo a partir de 313 d.C., com o Édito de Milão, assinado durante o império de Constantino I (do Ocidente) e Licínio (do Oriente), no mesmo dia em que ocorreu o casamento de Licínio com Constantia, irmã do imperador da porção oriental do Império. Com este édito, o Cristianismo deixou de ser proibido e passou a ser uma das religiões oficiais do Império.
O Cristianismo tornou-se a única religião oficial do Império sob Teodósio I (379-395 d.C.) e todos os outros cultos foram proibidos. Inicialmente, o imperador detinha o controle da Igreja. A decisão não foi aceita uniformemente por todo o Império; o paganismo ainda tinha um número muito significativo de adeptos. Uma das medidas de Teodósio I para que sua decisão fosse ratificada foi tratar com rigidez aqueles que se opuseram a ela. O massacre de Tessalônica devido a uma rebelião pagã deixa clara esta posição do imperador. Um dos conflitos entre a nova religião do Império e a tradição pagã consistiu na condenação da homossexualidade, uma prática comum na Grécia antes e durante o domínio romano.
Fonte: Wikipédia
Sabiamente os impérios posteriores ao romano, alguns deles ao menos, sabem que pequenas concessões (migalhas para eles) são relevantes para a manutenção de seu poder, contrangendo os abusados os que contestarem.
Dessa forma passamos pelo final da antiguidade, pelo medievo e por diversas revoluções (ideias e avanços tecnológicos), chegando aos dias de nossa miséria humana. A exploração do homem pelo homem, por diversas vezes foram justificadas pelos criadores e divulgadores do simbolismo natalino, em nome de seu salvador, o filho de Deus. É claro que essa não foi e nem é a única forma de dominação, mas como o mote desse relato é a festa máxima do cristianismo, nosso foco não poderia ser diferente.

A criação de um “bom velhinho” distribuindo presentes a todos, ou melhor, aos que foram bons segundo a moral vigente, foi uma maneira também de estimular o consumo e de justificar (tornar natural) algumas das desigualdades sociais pelo mundo.
A figura nada oportuna de Papai Noel (Nicolau, Santa Claus ou qualquer outra alcunha desse criminoso) não agrega nada realmente relevante às crianças da Terra. Sem contar a tese que adoro, mas que é considerada participante de teoria da conspiração, de que tal figura foi remodelada de acordo com os interesses de marketing de certa empresa de refrigerantes. Sem contar que o velhinho mantém anões escravizados, com jornadas desumanas de trabalho, não têm carteira assinada (pois o dono da fábrica de brinquedos vive fora dos acordos da Organização Internacional do Trabalho - OIT), além de utilizar o já precário meio de transporte com tração animal.

Em tempos em que alguns valores preciosos a todos nós começam a ser realidade, mesmo que de forma tímida (bem tímidos ainda!), precisamos lutar para que sejam aprofundados e distribuídos a todos pelo planeta.

Pensemos:

Ao lado de quem e de quais lutas estaria do dono do aniversário?
Será que defendia que recebessemos migalhas ou morreu para que tornassemo-nos protagonistas de nossas próprias histórias?
Cada qual fará sua reflexão e ponderações...
Saudações natalinas!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Gosto muito, portanto os recomendo...

Quero nesse post recomendar os ótimos blogs de alguns amigos.
São da melhor qualidade e inspiram-me em minhas insanidades:

O estadista de si mesmo:  http://maximo.r.blog.uol.com.br/

Politicamente Incorreto:   http://politicamente.incorreto.zip.net/

Amosfera:  http://amosfera.blogspot.com/

A Caricatura do Brasil:  http://www.acaricaturadobrasil.com/

Por quê a gente é assim?:  http://priscillabranco.blogspot.com/

As aventuras do Cmdt. Marco e o fabuloso exército: http://cmdtmarco.blogspot.com/

Pensamentos Nicolinistas: http://pensenicolino.blogspot.com/

Pare o mundo que eu quero descer! / Rachadura no asfalto:  http://rachaduranoasfalto.blogspot.com/

Luizinho Brito: http://luizinhobrito.blogspot.com/

La vache!: http://vachequebec.blogspot.com/

E gostaria de recomendar dois blogs de jornalistas:

Paulo Henrique Amorim:  http://www.paulohenriqueamorim.com.br/

Luiz Carlos Azenha: http://www.viomundo.com.br/

Há vida inteligente nessa internet.
Aproveitem as ótimas leituras!!!

Saudações rebeldes!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Carta a Robin Williams

Dear Mr. Robin Williams


Venho por meio desta, mui respeitosamente, agradecer o fato de nos lembrar dos nossos defeitos de país subdesenvolvido e manifestar essa reparação pela repercussão negativa cá em nossa pátria.

Sabemos de sua história tão tocante em Hollywood, acompanhamos seus filmes, seu talento nato para a sétima arte e seu magnânimo Oscar como ator coadjuvante pela brilhante atuação no filme “Gênio Indomável”. Trata-se de um grande ator nascido em Illinois, Chicago (EUA).

Somente um país em processo civilizatório incompleto, como é o nosso, poderia se indignar com suas críticas tão afáveis e construtivas. Escusas pelo desagradável fato, Mr. Williams!

Relatemos: esse importante ator estadunidense, em entrevista a David Letterman, aquele mesmo que o programa de Jô Soares imita, disse que o Rio de Janeiro receberá as Olimpíadas de 2016 por termos seduzido os integrantes do Comitê Olímpico Internacional (COI) com 50 strippers e meio quilo de pó, enquanto sua terra natal enviou Oprah Winfrey (apresentadora de programa na TV) e a primeira-dama Michelle Obama, classificando a disputa injusta e desigual.

Não se esqueça de que “Narciso acha feio o que não é espelho” e, apesar de tanto atraso e desapego aos valores nacionais (não pertencimento!), em Copas do Mundo, Olimpíadas e nas ofensas, unimo-nos para tentar resgatar nosso orgulho periférico.

Destratar tão nobre artista, tão nobre e respeitosa cultura, como é de nossos queridos amigos do norte da América, é algo minimamente deselegante e passo a tentar aqui, sem deter procuração popular, retratar-nos.

Justamente nossos “brothers” do norte que proferem discursos e promovem a paz entre nações por meio de sua sábia imposição dos valores democráticos, não deveriam ter essa paga por seu labor.

Além de realizarem tais obras de suma importância, mesmo que não tenhamos consciência disso, não nos deixam sem o devido registro cinematográfico para a posteridade e educação de nossos povos pouco educados.

Exemplificar suas contribuições para a Humanidade fará com que me esqueça de muitas situações, contudo arrisco-me para homenageá-los, com a ressalva de que sabemos que são humildes o suficiente para repartirem sua estupenda atuação com seus aliados (outras nações ou com nossas burguesias nacionais).

Vamos a algumas contribuições desse amável país: segregação racial (Ku Klux Klan), intervenção e formação da ilha de Cuba em seu bordel particular (antes de Fidel), fomentar guerras pela democracia por todo o planeta (Iraque, Afeganistão, por exemplo), sua luta contra o terrorismo e contra os inimigos da democracia liberal, a criação/manutenção (em seus contextos) dos gêmeos Coreia (norte e sul), Alemanha (Ocidental e Oriental), Vietnã (Sul e Norte), intervenção na Colômbia, invasões territoriais para nosso bem, espionagem e rapinagem de territórios dos países nos quais promoveu “guerras civilizatórias” para seu próprio bem e de toda a Humanidade, entre outras tantas.

Não poderia esquecer sua ação no Oriente Médio (terra dos petro-dólares), especialmente na questão palestina. Também não seria honesto esquecermos dos heróis desbravadores do Oeste de seu país, que não enfraqueceram diante das dificuldades, devastaram florestas e exterminaram povos indígenas em nome do progresso e do desenvolvimento.

Não podemos negar que estiveram presentes na vida de nosso país e de nossos vizinhos em períodos críticos, tal como durante o regime militar. Nesse período, seu país, num esforço em nos auxiliar e manter a ordem, apoiou os golpes militares em nosso continente com subsídios “em espécie”, colaborando militarmente, ensinando-nos técnicas avançadas (tortura) para obtermos informações dos agentes subversivos (qualquer suspeito).

Fora sua importante revolução em termos da ampla divulgação e distribuição dos alimentos processados e menos rústicos, tais como: nossos preferidos fast food’s inovadores e shakes para não desperdiçarmos nossos preciosos tempos de produção com tão arcaicos costumes, como boa alimentação e tempo com a família.

Tentamos imitá-los até os dias atuais, mas precisamos reconhecer nosso amadorismo tupiniquim. Nem seu patri(di)otismo soubemos assimilar. Que sabe um dia!?

Mesmo sabendo que temos tantas outras necessidades bem mais urgentes a resolver, tendo como maior exemplo o resgate da imensa dívida social, além da mais que imprescindível precisão em investimentos estruturais e em saneamento básico, além de construir um sentimento de pertencimento, fundando assim, finalmente, o povo brasileiro e a nação, entendendo que nunca tivemos Olimpíadas e nada mudava. Não será o fato de realizarmos ou não esses jogos que nossa história mudará. Certo amigo?

Como forma de nos redimir dessa indelicadeza contumaz, utilizo a fruta símbolo de nossa República para apaziguar os ânimos e para que possamos nos reconciliar. Sei que sua cultura não gosta de consumir tais produtos “in natura”, mesmo se tratando de alimento com casca fácil de tirar e de diversas modalidades, tais como a banana-maçã, banana-da-terra e a nanica. Caso não queira sujar suas mãos civilizadas para consumir fruto tão importante na história deste país e de seu PIB, grande parte de nossa população sentir-se-á honrada em ajudá-lo a consumi-la via anal!

Com afeto,

Apenas um latino-americano stripper.


Yes, nós temos bananas!