domingo, 28 de março de 2010

Contra a concepção educacional dos “modernos” déspotas esclarecidos (Tucanalha)


Não é de hoje que tucanos nos fazem o favor de trazer suas brilhantes ideias ou deturpando as ideias de outros em educação pública. Seu verniz conciliador entre pós-modernidade e despotismo esclarecido tem como papel enganar os ignorantes (ignorância = não saber) em relação a seu “saco de maldades”. São sujos e mentirosos, sem dizer que são entreguistas de nossos bens públicos, natureza e nossas almas periféricas.

A charge de Angeli demonstra bem o projeto de educação integrada proporcionada pelos tucanos e seus aliados históricos, quer sejam, os donos dessa Terra de Vera Cruz! Com aval da Santa Sé, dos protestantes, espíritas e demais denominações, os quais prestam o desserviço de naturalizar a desigualdade social.

Impressiona o interesse pela “moda midiática” e o desinteresse pelos dramas cotidianos, tendo em vista que são tantos quantos as estrelas no céu e só têm espaço nos jornalísticos sensacionalistas. Não gostamos de nos reconhecer na realidade, preferimos os supostos laboratórios comportamentais do tipo Big Brother, novelas da zona sul do Rio de Janeiro ou as caricaturas paulistanas, nordestinas ou internacionais.

Abraçar a realidade em suas virtudes e “defeitos” é importante para nosso crescimento pessoal e coletivo. Deixarmos de lado os estereótipos é passo sem o qual não caminharemos bem diante dessa “vida marvada”. É difícil renunciar ao reconforto do sofá e seu entretenimento imbecil (mas “engraçadinho”!), contudo será mais reconfortante do que continuar a nos submeter aos meios de transporte lotados, empregos e subempregos em condições subumanas, vida vazia de objetivos de essência, entre tantos outros aspectos alienantes.

Começar pela educação de nossas crianças e jovens, mostrar valores humanos, desmascarar as mazelas dos poderosos e promover o pensamento crítico são nossas obrigações, evitando que seu mundo se transforme no palco do Admirável Gado Novo. Embora seja, não quero permanecer nesse papel de ovelha, sendo conduzido por pastores fanáticos de várias ordens, sejam elas religiosas, políticas, ideológicas ou quaisquer outras.

Apostar na inteligência humana, no futuro da espécie, na autonomia e na justiça social ao invés do lema burguês de liberdade, igualdade e fraternidade é nossa fundamental tarefa. Colaborando para que nosso futuro (crianças e jovens) possa ser assentado em solo firme e comprometido com justiça e paz. Evitando, assim, a continuidade do sistema integrado Febem-Detenção, para todos nossos jovens. Criando um mundo de cooperação e de valores humanos (os bons!), recriando, não em laboratório, uma sociedade em harmonia com o planeta.

Sejamos construtores do novo homem!

Saudações aos companheiros e companheiras!

sábado, 27 de março de 2010

Diálogo DEMOcrático tucano!


Na última sexta-feira pudemos observar o apreço de Serra (Tucanos/Demos) pela democracia e pelo respeito ao direito à greve e a manifestação. Grande parte da população nem se apercebeu dos acontecimentos devido a comoção social gerada pelo caso Nardoni e seu julgamento, o qual resultou na culpabilidade de Alexandre (pai) e Anna Jatobá (madrasta) com pena de reclusão de 31 e 26 anos, respectivamente.

É triste constatarmos a que ponto chegamos em termos de violência, assim como expressei no último artigo aqui escrito acerca da morte de Glauco e Raoni. Contudo nada temos feito para que a situação mude. Não basta irmos para frente dos locais dos “tribunais” com faixas e soltarmos fogos ao final das decisões dos magistrados, temos que mudar o rumo de nossos destinos coletivamente.

Iniciar com decisões bem apuradas e baseadas em provas inequívocas é passo importante para extirpamos a impunidade dos nossos laços jurídico-sociais, mas devemos construir uma sociedade da essência ao invés da sociedade de consumo irracional. Dessa forma diminuiremos a criminalidade e impediremos sociopatas e psicopatas que tanto vemos a cada dia.

Outro foco importante é garantir às esferas de direitos (civil, políticos e sociais) sua plena efetividade e impedir que governantes utilizem covardemente os recursos de repressão contra o povo em reivindicação por melhorias nas condições de vida, trabalho e na luta pela justiça social.

É sabido que tucanos adoram estatísticas forjadas e têm ojeriza à educação pública de qualidade, vide seus governos estaduais e o retrocesso no período dos 8 anos de governo do príncipe dos sociólogos.

Contudo, ontem realmente foi difícil aceitar a truculência apresentada pelo governador Serra-Burns quando recebeu os professores da rede estadual com sua polícia. Sentar-se à mesa pra negociar “democraticamente” nunca faz parte de seu governo e aos que o contrariam sobram a truculência de nossa polícia, “aperfeiçoada” durante o regime militar, cuja tática de diálogo principal é o confronto direto e contra adversários desarmados. A mesma covardia da época da ditadura militar e ao gosto do nazi-fascismo.

Serra representa quase tudo que não se admira em um ser humano (será que ele é?) e lhe resta apenas a tática da maquiagem através das propagandas pagas (com nosso dinheiro) e a de estúdio, para que sua face nefasta possa sofrer “correções” cândidas. Sua máscara de democrata já caiu faz tempo e comemoremos sua queda nas pesquisas, pois alguém que “queimou” seus próprios aliados, seja Roseana em 2002 ou Aécio agora em 2009/2010, só pode ser alguém de quem devemos nos precaver.

Fora Serra!

Abraços!

sábado, 13 de março de 2010

A morte não tem graça!


Custo a escrever sobre mortes pontualmente, pois não gosto muito de descortinar alguns sentimentos. A morte de Glauco e Raoni não pertence somente a mim, evidentemente, mas o curso de nossa sociedade “civilizada” me apoquenta. A quem servimos? Deus ou Mamon? Não se pode servir aos dois! E não se trata de discussão religiosa, mas de valores humanos.

Há semanas, devido ao confronto entre torcidas uniformizadas, jovens morreram e outros tantos foram feridos. Isso não se restringe a torcedores de futebol, pois a violência está espalhada por toda a sociedade. Todos os dias crianças, jovens, adultos e idosos são mortos brutalmente ou vítimas de toda sorte de violência pelas periferias do Brasil e do mundo. Quem chora essas mortes? Suas famílias e amigos, apenas. Servem também para a histeria de apresentadores de (tele)jornais sensacionalistas.

O número de mortes brutais atinge muito mais “anônimos” do que famosos, é óbvio. Isso provoca orgasmos nos viciados em estatísticas, até porque são assim mesmo tratados. Mortes sem rosto, sem contato, sem história, sem esperança, sem lei, sem moral e, na visão do mercado, facilmente substituíveis. Lamentável a que ponto chegamos! E, lembrem-se, sempre podemos piorar!

Venho aqui escrever por ter crescido e aprendido a lidar com a dura realidade e desenvolvido parte da minha virtude (cinismo) lendo a vida de forma crítica e humorada graças aos ótimos cartunistas brasileiros. Indignar-se, sem perder o bom humor, e me refazer para transformar.

Sempre acreditei que o maior sinal de inteligência seria o bom humor, mas a realidade insiste em tentar apagar esse brilho. Êita, mundão chato dos infernos!!! Sigamos lutando contra tudo e contra todos os mau-humorados de plantão.

Recorrentemente utilizo esse espaço para mostrar meu descontentamento, nem todos enxergam minha luta pela transformação, apenas me consideram um niilista. Bem, será que não leem entrelinhas? Será que não leem linhas? Será que realmente se conformam com o mundo em que vivemos? Será?

Enfim, às favas com seu mundinho “mais ou menos”, de migalhas e “entremuros”!

Lamento profundamente a morte do cartunista Glauco, o qual colaborou para minha formação sociológica e humana, mas, sobretudo, lamento a morte de mais dois seres humanos, os quais juntam-se às estatísticas da violência da sociedade de consumo e da reciclagem.



Adiós amigos!

Vaya com Diós!

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Pax “brasiliana” - 140 anos na história!


Ao ler hoje ao caderno de Dinheiro da Folha de SP, deparei-me com um artigo do ex-ministro Rubens “Parabólica” Ricupero mencionando um tema interessante e instigante, qual seja os 140 anos de paz vivido nesse país. Evidentemente ele se referia aos conflitos externos com nossos 10 vizinhos, algo singular num mundo da ordem bélica e competitiva.

Com a morte de Francisco Solano López em 1º de março de 1840, colocava-se fim a uma guerra inglória (Guerra do Paraguai) e covarde reunindo vizinhos que não se davam, mas que se uniram (sob a benção inglesa) para destruir uma pequena e próspera nação que incomodava os interesses das metrópoles européias e do norte do continente.

A tão comemorada paz perpétua da diplomacia brasileira tem duas faces. É claro que viver num país de raros terremotos, tsunamis, tornados e conflitos bélicos tem suas vantagens, contudo essa imagem pra gringo deixar de mostrar os conflitos internos e nunca resolvidos nessas terras serenas.

Nossa marca diplomática nos trás diversos benefícios, mas será que realmente tínhamos necessidade de posicionamentos mais contundentes enquanto não éramos tão relevantes como somos agora? Ou estávamos alinhados automaticamente com as metrópoles ou temendo sofrer sanções de todo tipo ao se insurgir. Aliás, nossa elite não tinha o menor interesse nisso, pois detinha seus lucros através das migalhas caídas do prato dos grandes capitalistas.

No período mencionado por Ricupero não nos engalfinhamos com nossos vizinhos, mas as revoltas internas, greves, ditaduras e a desigualdade só se agravaram. Dentre os absurdos tupiniquins, somos o único país no mundo que não realizou Reforma Agrária, somos dos poucos que imaginam que paz sem justiça social seja possível e que acredita que o “Estado mínimo” possa sanar os problemas de corrupção e da burocracia.

Não sou defensor de que o Brasil se torne “ignorante” tal qual as nações hostis e expansionistas como nossos vizinhos do norte ou alguns países do velho continente, mas a opção diplomática brasileira deveria levar em consideração valores humanos e não a submissão. Aliás, quando as nações deixarem de tentar levar vantagem e promoverem trocas culturais e comerciais com base em preceitos de justiça, talvez possamos salvar o planeta e as espécies que nele vivem (incluindo-nos, Homo sapiens demens).


Saudações... e paz com justiça!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Carne vale



Vai Passar

Chico Buarque
Composição: Chico Buarque e Francis Hime

Vai passar nessa avenida um samba popular
Cada paralelepípedo da velha cidade essa noite vai se arrepiar
Ao lembrar que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais
Num tempo página infeliz da nossa história,
passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações
Dormia a nossa pátria mãe tão distraída
sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações
Seus filhos erravam cegos pelo continente,
levavam pedras feito penitentes
Erguendo estranhas catedrais
E um dia, afinal, tinham o direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia que se chamava carnaval,
o carnaval, o carnaval
Vai passar, palmas pra ala dos barões famintos
O bloco dos napoleões retintos
e os pigmeus do boulevard
Meu Deus, vem olhar, vem ver de perto uma cidade a cantar
A evolução da liberdade até o dia clarear
Ai que vida boa, ô lerê,
ai que vida boa, ô lará
O estandarte do sanatório geral vai passar
Ai que vida boa, ô lerê,
ai que vida boa, ô lará
O estandarte do sanatório geral... vai passar


Não importa a versão histórica de nossa preferência, o relevante nessa festa chamada Carnaval, marca brasileiríssima tanto quanto o futebol, mesmo suas origens sendo ligadas ao velho mundo. A tal festa da despedida da carne e pela purificação de nossas almas fustigadas impressiona pela exuberância, pelo inusitado e pelo consumismo cultural que representa nos dias atuais.


Há controvérsias sobre a origem dessa festa, passando desde os primórdios da cultura ocidental lá na Grécia clássica, tendo outra versão remontando aos “gloriosos” dias do Império Romano ou, ainda, ao período do medievo na Europa das sombras e sob a tutela dos “Papas de Deus”. Mas, enfim, o que nos importa é saber o quanto de festa popular e de cultura de massas tem essa festa da carne.

A formação em sociologia e a militância política me deixam em uma verdadeira “sinuca de bico”, pois trata-se (ou se tratava) de evento pertencente ao folclore de nosso país e de outras localidades também, é verdade. Seja na “cidade luz” das máscaras, nas tradições sem samba em New Orleans, em recantos orientais ou nas diversas expressões carnalavescas de Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo ou na região amazônica, a população se esbalda nessa festa durante o período permitido pelas autoridades eclesiásticas, governamentais e pelos patrões.

Nunca fui grande entusiasta dessa festa, somente participei voluntariamente em tenra idade nos carnavais de rua no bairro da Lapa (desfiles na Rua Doze de Outubro) e em algumas matinês no SESI-Leopoldina, nada além disso. Bem, na verdade, estive no Anhembi há anos atrás e em ensaios de uma escola de samba da zona norte, mas puramente para agradar a dona do meu coração à época. Constatei que a bateria de uma escola de samba é algo sobrenatural, tendo vivido emoção sonora parecida somente quando ouvi os motores de um Fórmula 1 em Interlagos.

Os incômodos desse velho estão na comercialização do carnaval e seus agregados, na ditadura do samba enredo e dos desfiles durante esses dias. Não posso me esquecer da hipocrisia permissiva que representa essa data, além da suposta realeza apresentada nessa festa.

Não pertenço e nem pretendo pertencer a qualquer tipo de corte, até por não acreditar nesse tipo de sociedade e ser feliz por estar livre desse tipo de julgo (ao menos supostamente! rs). Assim como Pelé, Roberto Carlos e Xuxa não serem por mim considerados de qualquer realeza.

Os meios de comunicação, controlados por nosso Big Boss capitalista, adora esse tipo de alienação por poder manipular alegremente e impor a todos a obrigação da felicidade em forma de consumo e abuso. Comércio sofisticado e rasteiro no mesmo produto!

Por final, a Santa Amada Igreja, do alto de sua magnificência inquisidora, permiti-nos abusos para que possam vender o perdão em prestações. Quer pagar quanto? Ou os irmãos mais novos da Santa Inquisição, sejam pentecostais ou não, condenam a festa como algo criado pelo demônio, comportamento comum a seus pastores, bispos e apóstolos, emaranhados na gula, na avareza, na inveja, na ira, na soberba, na luxúria e na preguiça.

Para evitar um fim tão triste quanto o de Policarpo Quaresma, prefiro valorizar as questões culturais de todos os povos, todavia raciocinando sobre os valores, costumes e interesses impregnados nessas formas de expressão humana, não participando de um consenso automático, burro e imposto pelos poderosos da economia mundial.