Dear Mr. Robin Williams
Venho por meio desta, mui respeitosamente, agradecer o fato de nos lembrar dos nossos defeitos de país subdesenvolvido e manifestar essa reparação pela repercussão negativa cá em nossa pátria.
Sabemos de sua história tão tocante em Hollywood, acompanhamos seus filmes, seu talento nato para a sétima arte e seu magnânimo Oscar como ator coadjuvante pela brilhante atuação no filme “Gênio Indomável”. Trata-se de um grande ator nascido em Illinois, Chicago (EUA).
Somente um país em processo civilizatório incompleto, como é o nosso, poderia se indignar com suas críticas tão afáveis e construtivas. Escusas pelo desagradável fato, Mr. Williams!
Relatemos: esse importante ator estadunidense, em entrevista a David Letterman, aquele mesmo que o programa de Jô Soares imita, disse que o Rio de Janeiro receberá as Olimpíadas de 2016 por termos seduzido os integrantes do Comitê Olímpico Internacional (COI) com 50 strippers e meio quilo de pó, enquanto sua terra natal enviou Oprah Winfrey (apresentadora de programa na TV) e a primeira-dama Michelle Obama, classificando a disputa injusta e desigual.
Não se esqueça de que “Narciso acha feio o que não é espelho” e, apesar de tanto atraso e desapego aos valores nacionais (não pertencimento!), em Copas do Mundo, Olimpíadas e nas ofensas, unimo-nos para tentar resgatar nosso orgulho periférico.
Destratar tão nobre artista, tão nobre e respeitosa cultura, como é de nossos queridos amigos do norte da América, é algo minimamente deselegante e passo a tentar aqui, sem deter procuração popular, retratar-nos.
Justamente nossos “brothers” do norte que proferem discursos e promovem a paz entre nações por meio de sua sábia imposição dos valores democráticos, não deveriam ter essa paga por seu labor.
Além de realizarem tais obras de suma importância, mesmo que não tenhamos consciência disso, não nos deixam sem o devido registro cinematográfico para a posteridade e educação de nossos povos pouco educados.
Exemplificar suas contribuições para a Humanidade fará com que me esqueça de muitas situações, contudo arrisco-me para homenageá-los, com a ressalva de que sabemos que são humildes o suficiente para repartirem sua estupenda atuação com seus aliados (outras nações ou com nossas burguesias nacionais).
Vamos a algumas contribuições desse amável país: segregação racial (Ku Klux Klan), intervenção e formação da ilha de Cuba em seu bordel particular (antes de Fidel), fomentar guerras pela democracia por todo o planeta (Iraque, Afeganistão, por exemplo), sua luta contra o terrorismo e contra os inimigos da democracia liberal, a criação/manutenção (em seus contextos) dos gêmeos Coreia (norte e sul), Alemanha (Ocidental e Oriental), Vietnã (Sul e Norte), intervenção na Colômbia, invasões territoriais para nosso bem, espionagem e rapinagem de territórios dos países nos quais promoveu “guerras civilizatórias” para seu próprio bem e de toda a Humanidade, entre outras tantas.
Não poderia esquecer sua ação no Oriente Médio (terra dos petro-dólares), especialmente na questão palestina. Também não seria honesto esquecermos dos heróis desbravadores do Oeste de seu país, que não enfraqueceram diante das dificuldades, devastaram florestas e exterminaram povos indígenas em nome do progresso e do desenvolvimento.
Não podemos negar que estiveram presentes na vida de nosso país e de nossos vizinhos em períodos críticos, tal como durante o regime militar. Nesse período, seu país, num esforço em nos auxiliar e manter a ordem, apoiou os golpes militares em nosso continente com subsídios “em espécie”, colaborando militarmente, ensinando-nos técnicas avançadas (tortura) para obtermos informações dos agentes subversivos (qualquer suspeito).
Fora sua importante revolução em termos da ampla divulgação e distribuição dos alimentos processados e menos rústicos, tais como: nossos preferidos fast food’s inovadores e shakes para não desperdiçarmos nossos preciosos tempos de produção com tão arcaicos costumes, como boa alimentação e tempo com a família.
Tentamos imitá-los até os dias atuais, mas precisamos reconhecer nosso amadorismo tupiniquim. Nem seu patri(di)otismo soubemos assimilar. Que sabe um dia!?
Mesmo sabendo que temos tantas outras necessidades bem mais urgentes a resolver, tendo como maior exemplo o resgate da imensa dívida social, além da mais que imprescindível precisão em investimentos estruturais e em saneamento básico, além de construir um sentimento de pertencimento, fundando assim, finalmente, o povo brasileiro e a nação, entendendo que nunca tivemos Olimpíadas e nada mudava. Não será o fato de realizarmos ou não esses jogos que nossa história mudará. Certo amigo?
Como forma de nos redimir dessa indelicadeza contumaz, utilizo a fruta símbolo de nossa República para apaziguar os ânimos e para que possamos nos reconciliar. Sei que sua cultura não gosta de consumir tais produtos “in natura”, mesmo se tratando de alimento com casca fácil de tirar e de diversas modalidades, tais como a banana-maçã, banana-da-terra e a nanica. Caso não queira sujar suas mãos civilizadas para consumir fruto tão importante na história deste país e de seu PIB, grande parte de nossa população sentir-se-á honrada em ajudá-lo a consumi-la via anal!
Com afeto,
Apenas um latino-americano stripper.
Yes, nós temos bananas!






