sábado, 7 de janeiro de 2012

São Marcos, o santo de casa que fez milagres!


“O guerreiro de fé nunca gela, não agrada o injusto e não amarela, o rei dos reis foi traído e sangrou nessa terra, mas morrer como um homem é o prêmio da guerra. Mas ó, conforme for se precisar, afogar no próprio sangue assim será, nosso espírito é imortal sangue do meu sangue, entre o corte da espada e o perfume da rosa, sem menção honrosa, sem massagem, a vida é loka nêgo, nela eu tô de passagem..”

Racionais MC´s


Triste aquele que nunca teve alguém para admirar! Mais triste ainda aquele que não teve a honra de ser palmeirense nos melhores anos do maior goleiro que tive a oportunidade de ver jogar. Mas, diante de sua santidade, foi benevolente com as outras torcidas e também os permitiu apreciar seus milagres e seu jeito simples, cativante e verdadeiro de ser.

Em tempos de egoísmo exacerbado, pouca solidariedade e procura por vantagens pessoais a todo custo, eis que surge Marcos Roberto Silveira Reis, vindo de Oriente (pequena cidade do interior paulista) para inverter essa lógica através do esporte mais popular destes tristes trópicos.

Sua carreira iniciou-se no modesto Lençoense (cidade de Lençóis Paulista), onde atuou nas categorias de base do clube até 1992, quando foi contratado pela Sociedade Esportiva Palmeiras, tornando-se atleta profissional (mais tarde ídolo).

Desde os primeiros momentos no Verdão mostrou talento, carisma e também um grande pegador de pênaltis, característica que o marcaria nos momentos decisivos. Amargou bom tempo no banco de reserva, afinal de contas nossa Sociedade Esportiva é celeiro de grandes goleiros, mas em 1999, Velloso (titular até o momento) sofre contusão, Marcos assumiu a titularidade e não mais deixaria a posição por longos anos.

Predestinado ao sucesso, entra no time em plena Copa Libertadores da América, joga muito bem, destaca-se nos jogos contra o Corinthians na fase de mata-mata e torna-se fundamental para o título continental inédito do Palestra em 1999, ganhando a alcunha de São Marcos.

Na temporada seguinte novamente torna-se carrasco de nosso mais tradicional adversário e se consolida como um dos mais importantes jogadores palestrinos de todos os tempos. Infelizmente seus milagres não foram suficientes para conseguirmos o bicampeonato da Taça Libertadores, afinal a juizada e a cartolagem sulamericanas preferem times que falem espanhol ou que façam seu jogo para representá-los no Mundial de Clubes.

Além do período de conquistas no Verdão, talvez um dos maiores momentos vividos por Marcão e por quem o admira para além dos muros de Parque Antártica, tenha sido a copa do Mundo de 2002, onde, ao lado do Fenômeno, Rivaldo, Roberto Carlos, Ronaldinho Gaúcho e Cafu, foi determinante para que a Seleção Brasileira de Futebol voltasse com o caneco (Pentacampeonato) para nosso país.

Nesse mesmo ano de 2002, nós palestrinos, passamos pelo sofrido rebaixamento do Palmeiras no Brasileirão (ano em que o campeonato teve turno único!), tendo nosso santo recebido proposta milionária para jogar no Arsenal-ING. Recusou tal proposta em nome do amor pelo Palmeiras e pela torcida. Um ato que comoveu não apenas nossa torcida, mas mostrou aos demais que nosso ídolo não era só pegador de pênaltis e autor de defesas milagrosas em campo, mas que tinha outro referencial de sucesso e felicidade.

Em tempos de capitalismo ultra-selvagem e de desencantamento do mundo, nosso santo mostrou que há valores maiores do que o dinheiro. “A César o que é de César...”, acabando por ser alvo de críticas dos gananciosos de plantão.

Infelizmente, de lá pra cá, apesar de umas poucas boas temporadas, nosso santo sofreu o martírio característico dos seres de sua envergadura. Seja o grande número de contusões ou das desatrosas e nefastas direções que passaram nesse período em nossa Sociedade Esportiva Palmeiras, cumpriu sua missão de forma digna e ainda marcou nosso único momento alegre nos últimos tempos (Paulistão 2008).

Ao se reapresentar nesse ínicio de janeiro, tendo avaliado com sua família o melhor curso a seguir, decidiu-se pela aposentadoria. Mesmo sendo algo previsível, foi difícil de aceitar, mas fácil de respeitar.

São Marcos, nós torcedores do Palestra, agradecemos a você não somente pelos mais de 500 jogos que honrou nossa camisa, pelos pênaltis e defesas milagrosas que executou, mas por ter sido palmeirense, por ter vivido intensamente os momentos bons e os ruins, por não ter se escondido na hora do jogo ou das entrevistas, por ter sido ídolo e líder no gramado e fora dele.

Obrigado São Marcos de Palestra Itália!

Saudações santificadas!



segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Retrospectiva: Feliz ano velho!


Ao contrário do que sugere o título desse texto (em parte emprestado do livro de Marcelo Rubens Paiva), não se trata de passar em revista os fatos e as fotos do ano que terminou, mas demonstra o anseio de meditar sobre a própria ideia de uma retrospectiva tal como é feita por emissoras de TV, jornais e revistas. Além de ser (é claro!) o meio pelo qual retorno às atividades desse espaço de resistência.
Todo ano somos agraciados com as imagens, reportagens e a enxurrada de lamentáveis opiniões a respeito dos acontecimentos mais importantes (escolhidos pelos digníssimos formadores de opinião pública e por seus interesses escusos), passeando desde as críticas comprometidas com os interesses dos poderosos e seus aliados gringos até o ufanismo imbecil. É duro, ano após ano, ver tudo isso se repetindo como um caminho sem saída.
O simbolismo da troca de ano, perversa junção dos interesses econômicos e da cumplicidade do cristianismo oficial (calendário gregoriano, herdado na Santa Amada Inquisição), não representa muita coisa no cotidiano sofrido dos trabalhadores do mundo. É verdade que somos animais que necessitam do simbolismo para sobreviver, desde as representações numéricas, passando pelas letras e pela expressão artística, contudo a criação e difusão desses símbolos não é neutra, existem interesses de classe na seleção de uns e no descarte de outros.
Outros instrumentos fortes de dominação/alienação desse período são as longas seções de previsões sobre o ano que se inicia, tendo como pano de fundo as curiosidades sobre o “futuro” das celebridades e pessoas públicas de toda sorte, tendo como na previsão zodiacal os elementos (genéricos, por sinal) que “determinam” nosso destino ao longo dos próximos 12 meses. Isso sem contar com a ilusão sobre a possibilidade de enriquecer às custas dos jogos de azar (Mega Sena da Virada, por exemplo), sendo exatamente o desejo de nossa burguesia deslumbrada e preconceituosa que acreditemos nessas falácias para, dessa forma, nos ludibriar com a falsa ideia liberal de que somos todos iguais perante a lei e os jogos! 
Muito mais proveitoso, segundo minha opinião, é pensar sobre nossas atitudes individuais diante do mundo e sobre nossa participação coletiva diante dos fatos históricos de nossa época, prática salutar para que não sejamos apenas expectadores do nosso tempo, mas tomemos em nossas mãos os rumos de nossa vida.
Estamos todos impregnados com essa porcaria alienante!
Portanto, sem mais delongas, sugiro não perdermos mais tempo com as sentimentalidades que nos empurram para esses instrumentos de nenhuma “utilidade pública” e nos organizar para construir um mundo melhor, sem simpatias, falsas promessas, sem boas intenções (se há inferno, é lá que eles permanecem!) e superstições que beiram a irracionalidade.

Saudações autônomas e libertárias!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Das coisas menos importantes, a mais importante!


A alegria do sábado ao final da tragédia de um tango à uruguaia, tornou-se a tristeza de um samba dominical. Isso mesmo, o amigo leitor não está enganado, pois estou mesmo escrevendo sobre futebol, o esporte das massas, dos descamisados, do povo, a paixão nacional.

O amor pelo futebol me foi apresentado desde cedo, tendo em vista o fato de meus parentes serem apaixonados pelo esporte, sobretudo meu pai, o qual teve uma passagem pelas categorias de base do São Paulo antes de conhecer minha mãe. Isso não o fez deixar o amor pela Sociedade Esportiva Palmeiras, amor herdado por mim e por meu irmão Paulo!

Mas esse preâmbulo serviu para demonstrar como isso pode nos envolver e nos cegar quanto àquilo que pertence ao futebol e que pouco é entendido ou tenha importância à maioria fustigada pela rotina de trabalho desumana a que somos submetidos cotidianamente.

Ano após ano lemos, assistimos ou ouvimos diversas denúncias de corrupção e condutas “inadequadas” de dirigentes do futebol pelo Brasil e pelo mundo, tantos em clubes, quanto nas federações e confederações. Contudo, diante das agruras da vida pós-moderna, deixamos de lado e continuamos achando que campeonatos e transferências de jogadores acontecem apenas pela vontade, paixão e entrega de jogadores e diletos dirigentes dessas entidades.

Os absurdos a que a FIFA, entidade “máxima” da categoria, submete os países que recebem a Copa do Mundo e demais torneios organizados por ela são no mínimo infames e deveríamos, pobres do mundo, rechaçá-los. Sem contar as campanhas difamatórias que promovem desqualificando os esforços desses países e sua população para gozar a possibilidade de ter esse evento em suas terras.

Não se poder dizer que essa entidade e seus comparsas nacionais, em nosso trágico caso a CBF, não saibam diferenciar o público do privado, até porque eles têm certeza de que as obrigações são nossas e as benesses são somente deles.

Por esses e outros motivos, os quais nem menciono aqui pelo motivo de já existir vasto material sobre denúncias ao alcance de alguns “cliques” (caso o amigo leitor queira entender melhor), além da maneira ultrajante com a qual a cartolagem de rapina se aproveita dessa paixão nacional (não somente no Brasil!) é que, hoje, aos dezoito dias do mês de julho do ano de dois mil e onze, deixo de me preocupar com esses assuntos do selecionado brasileiro.

Abaixo a FIFA, a CBF e seus comparsas!

Saudações desclassificadas!

domingo, 15 de maio de 2011

(Re)Ação diferenciada

Café - Portinari

A história do bairro de Higienópolis começa no século XVI quando a sesmaria do Pacaembu foi doada aos jesuítas por Martim Afonso de Souza. A extensa área era delimitada pelo caminho dos Pinheiros (Rua da Consolação), Emboaçaba (Av. Dr. Arnaldo) e pelo córrego Água Branca. Na época da doação, a região foi dividida em três áreas: Pacaembu de Cima, do Meio e de Baixo.
Mais uma vez, o café foi o grande responsável pela mudança... até urbanística. A partir de 1900, começaram a surgir os casarões ao longo da Avenida Higienópolis. A maioria construída por barões de café, que moravam antes no bairro dos Campos Elíseos, comerciantes e industriais. Poucas mansões sobraram desse período, algumas delas tombadas pelos órgãos de patrimônio histórico.
Sesmaria é o nome que se dá a grandes lotes de terra que o rei de Portugal cedia aqueles que se dispusessem cultivá-las. Eram em geral incultas ou abandonadas. O bairro de Higienópolis correspondia a parte dessa região denominada Sesmaria do Pacaembu, e ocupada pelos jesuítas nos primórdios do Séc. XVI.
Porém, futuramente receberia o nome de Higienópolis (cidade ou lugar de higiene) devido às suas características, ressaltadas pela publicidade, tais como o fornecimento de água e esgoto, que na época eram existentes em poucos locais da cidade.[ Além disso possuiria também iluminação à gás, arborização e seria atendido por linhas de bondes, sendo considerado como o maior loteamento em extenção territorial e em importância social e econômica.


Fontes:


          O governo tucano realmente foi coerente ao atender aos pedidos da classe a que representa!
          Ceder ao desejo dos descendentes da aristocracia escravocrata (nossos nada saudosos barões do café!) foi a demonstração do desprezo que o tucanato tem pela classe trabalhadora de São Paulo e do Brasil.
           Uma verdadeira “banana” para a maioria dos paulistanos!
          As declarações preconceituosas e segregacionistas de alguns moradores do bairro de Higienópolis arrepiam os pêlos de todos aqueles que lutam contra o apartheid (isso mesmo!) pelo mundo.
          O bairro mencionado se consolidou exatamente sob a perspectiva de construção de um bairro distinto dos demais, ou seja, um local melhor pra gente melhor! Absurdo!
          Aliás, não é o único pela cidade, mas o melhor exemplo. Também serve para aqueles membros da elite e da classe média paulistana que não tiveram coragem ou oportunidade de fugir para os condomínios fechados (Alphalville ou Tamboré, por exemplo) ou mesmo ir morar em Miami.
          O nome sugere que lá há higiene (saneamento básico, entre outros atendimentos) e leva a entender que nos demais não há ou não haveria. Mas é claro, pois as autoridades governamentais sempre privilegiaram (com raras exceções) atender a seu público cativo. As periferias sofrem a falta de atendimento básico, enquanto as elites e a classe média subserviente recebem as benesses da “força pública”!
          Só conhecemos o atendimento a partir da negação de benfeitorias (como é o caso) ou através das filas e do não atendimento em hospitais, creches e escolas. Ah sim, além do braço armado do Estado burguês (polícia e exército).
          Nossa burguesia é deplorável, pois não sabe administrar sua hegemonia e nem deixa as migalhas caírem da mesa para atender a seus puxa-sacos. Apenas no pão e circo carnavalesco e um pouco no futebol.
          Tenho vergonha da nossa burguesia que ainda se pretende nobreza!
         Justamente por isso os “bons burgueses” de cá, tal como Barão de Mauá, tenham perecido em nossos Tristes Trópicos. Nessa hora, junto-me a antiga ideia do professor Florestan esperando a revolução burguesa no Brasil.
         Enfim, no fundo, os ex-senhores de engenho ou barões do café gostariam que voltássemos para as senzalas e que voltassem a permitir a divisão de entradas (social e de serviço).
         Parabéns aos companheiros que estiveram protestando nas ruas desse bairro PODRE de chique e contra o governador “picolé de chuchu”, agregado da Opus Dei!


         Abalemos os alicerces da casa grande!

         Saudações diferenciadas!



segunda-feira, 9 de maio de 2011

Os cães infieis e a volta da lei de talião



O Código de Hamurábi é um conjunto de leis criadas na Mesopotâmia, por volta do século XVIII a.C, pelo rei Hamurábi da primeira dinastia Babilônica. O código é baseado na lei de talião, “olho por olho, dente por dente”. 

É verdade que Osama Bin Laden é figura desprezível.

É verdade também que o imperialismo estadunidense é tão desprezível quanto!

Contudo hoje venho expressar minha preocupação em relação ao justiçamento yankee contra o líder da organização terrorista que deixou a grande potência de joelhos diante dos ataques de 11 de setembro de 2001.

A lei de talião teria sido deixada para trás há muito tempo, ao menos nas questões internacionais com maior repercussão, embora isso sempre tenha me parecido mais discurso do que procedimento de fato.

De nada adiantou estabelecer a Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão (1789), a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) e a experiência de tantos conflitos na breve história da humanidade no planeta azul, pois continuamos a utilizar o expediente do “olho por olho, dente por dente” para resolver questões que ficam disfarçadas de problemas religiosos e culturais.

Gostaria de destacar que em todas as periferias do planeta essa é a lei mais conhecida e aplicada, todavia somos considerados fora da civilidade ocidental. Somos ainda vistos com desdém pelo mundo que se intitula desenvolvido. Aliás, dias atrás, em reunião dos Bancos Centrais, os países desenvolvidos apontaram a culpa pela demora na recuperação de suas economias aos procedimentos dos países emergentes diante da crise econômica mundial (pela qual, não esqueçamos, eles são os responsáveis!).

Os interesses econômicos da classe burguesa colocam explorados contra explorados e sua ideologia entorpece mentes e corações proletários. Sair desse ciclo não significa tomar parte de um lado ou de outro nessa lamentável história deflagrada no fatídico 11 de setembro.

A ideia aqui não é dar lição de moral, de história, de filosofia ou algo parecido, mas colaborar com as reflexões que tenho lido, visto e ouvido a respeito da festa e declarações de muitas lideranças e (de)formadores de opinião através dos diversos meios de comunicação.

Outra intenção era apenas tornar pública minha indignação em relação à petulância dos cães infieis (EUA) e a subserviência e entusiasmo planetário em relação ao assassinato promovido pela potência burguesa, a qual continua a achar-se no direito de decidir sozinhos os destinos da humanidade.

Não sejamos Pilatos!

Saudações discordantes!