quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Eu

Eu
Estou só
Mas não sozinho
Apenas estou sem alma
Orientaram ter agora muita calma

VRJ - poema escrito em 14/04/2013.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Final de expediente

E com toda a dedicação
Horas de trabalho
Enriquecendo o patrão
Ao reivindicar algo
Do poder legítimo
Lá vem o pancadão
Restam o circo e as migalhas
Disputadas com a média população
Passamos a admirar o inimigo
Estranhando o parecido
E agora lutando separado
Perdemos o sentido comunitário

VRJ - poema escrito em 13/04/2013.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

O crime e o erro

Precisamos dar um basta
A violência virulenta nos afasta
Eu quero imagens do infortúnio alheio
Quero a cena inteira, não corta pra mim
Gravada no I phone pago a prestações
Identifico-me com a agressão sofrida
Afinal de contas, a opinião pública me excita
O universitário não reage, mas falece
Na periferia diariamente dúzias desaparecem
Apenas por reagir a uma realidade injusta
Continuam chorando Marias e Clarices
Mas se arranco o braço do trabalhador
Ou atropelo proletários sem sentir dor
Do meu “erro” se apiedam sem rubor
Agora caso eu seja jovem, negro e pobre
Sou meliante e faço jus à letal sentença
Mereço o degredo, a prisão e a morte
Essa é a sorte de quem é explorado
Comete crime e sempre está errado

 VRJ - poema escrito em 13/04/2013.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Sentimento grego clássico

Minhas rimas apodreceram
Não há mais sentido naquilo
Fim de ilusão é sempre assim
A quem venera a deusa Atena
Não é permitido cultuar Afrodite
Os gregos antigos não rimavam
Mas escreviam e sentiam também
Outro mundo e outros tempos
O que resta para quem é deste modo
É um gole do copo oferecido ao filósofo
E beba como água o que te libertará
Veneno para o pretenso ajuizado          
Que, além da sabedoria, não sabe amar

 VRJ - poema escrito em 07/04/2013.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

As mudanças do Eu e do vento



Recomeçar não é motivo de vergonha
Nem mesmo ato de covardia
É colocar em prática lições da vida
Sinal que caminhamos com sabedoria
Recomeçar é saber ouvir o sabiá cantar
Mudar de caminho sem medo de errar
Voltar à alegria e à inocência de criança
É chamar de meu amor a dona esperança
Abraçando com vontade a mudança
Fazendo dela a razão de continuar
Errando novos erros e zerando pesadelos
Abrindo o coração sem reservas ou medos
Seguindo com precisão os bons ventos
No veleiro a navegar
Pequeno timão que empunho com orgulho
Em uma manhã de sol
Ou na chuva torrencial que mergulho
Nada pode me separar dos meus quereres

Rodrigo Máximo de Andrade & Valter Ramos Jacinto (poema escrito em 03/04/13)