sábado, 1 de outubro de 2016

O caminho inseguro

Não há caminho seguro a trilhar
A cada passo que damos na vida
Chegamos justamente a algum lugar 
Cuide para não se arrepender
Quando se escolhe parar de andar
Corre-se o risco de cedo arremeter
Caso seja o percurso acidentado
Não é bom nem olhar pro lado
Decidido siga sempre em frente
A ação do tempo é por vezes atroz
Melhor lutar hoje bravamente
Por tudo que se possa desejar
Do que ao final do trajeto pensar
Não tive o que merecia em vida
Vivi com cautela a me acovardar

VRJ - poema escrito em 06/07/2014.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Aos cativos dos trópicos

Ainda mora na zona sul carioca
Talvez habite um condomínio paulista
Aqueles onde só vivem dondocas
O que importa é seu desejo de ir
E sua conta escondida na Europa
Afastar-se dessa gente bronzeada
Que acaba de conquistar direitos
Agora consome e voa pelo país
Caso nada seja feito, um dia
Dividiremos um vôo para Paris
Eles têm complexo de vira-latas
Embora um cão sem raça definida
Seja mais humano que a média da classe
Que lambe as bodas do patrão
Pois acha que de sua família faz parte
Adeus Brasil!
Welcome Miami!

VRJ - poema escrito em 18/06/2014.

domingo, 25 de setembro de 2016

VIP (Very Idiot Personal)

O gigante acordou no ano passado
Imbecil como nunca antes na história
Comprou ingresso pro jogo da Copa
Coxinha apupou e xingou, hipócrita
Tá na moda pagar caro e aparecer
Mostrando ao mundo como se faz
Papel de idiota e incapaz
Vira-latas lambedor de botas
Cumpre a agenda dos neoliberais
Aceitando a alienação nossa de cada dia
Acreditando que com trabalho duro
Todos seremos felizes consumidores
A ordem e o progresso dos conservadores
Na liberdade de lucro para os senhores
Será o novo rico da capa da Caras
Oferecendo a bunda para os empresários
Mesmo que voltem em forma de generais

VRJ - poema escrito em 13/06/2014.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Um pra cá e outro pra lá

Girou para lá e para cá
Não tinha mais a certeza
Irreconhecível era o caminho
Então acabou por desabar ali
Mesmo caído resolveu agir
Capturou sentimentos alheios
Pois os seus foram inutilizados
Colocou todos para bailar
Numa coreografia toda improvisada
À francesa saiu dessa existência
Pôde constatar além-túmulo
Que não se controla o passado
Nem se pode saber do futuro
O presente que se tem é a vida

VRJ - poema escrito em 07/06/2014.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Aos ordinários

Sei que são muitos
Espalhados aqui e acolá
Controlam sua ordinária vida
Como médiuns inexperientes
Orientados por muitos espíritos
Todos perturbados e doentes
Negando as perguntas importantes
Já sabem tudo o que se precisa
Seguindo de cor e salteado
Como é infeliz a sua sina
Quem tenta fugir à regra
Recebe a paga mais fascista
Por ser regra a mediocridade
Somos na sociedade indesejados
Escapamos à sedução dos escravos
Queremos e inventamos a mudança
Incomodando poderosos e acomodados
Mas acaso você seja um desses bilhões
De bajuladores dos encastelados
Não se incomode com esse poeta
Pois sou tosco e de alcance limitado
Sigo meu caminho pelo outro lado
De coração lhe ofereço meus versos
E meu dedo do meio esticado

 VRJ - poema escrito em 04/06/2014.