sábado, 10 de julho de 2010

A grande defesa de um goleiro?



Quando o mestre concluiu seu discurso, perguntei-lhe:

- Por que alguns pecadores cumprem suas penas (mais leves) fora da cidade de Dite e outros cumprem penas mais pesadas dentro da cidade? Por que todos não estão aqui?

- Será que tu já esqueceste o que diz a tua Ética - respondeu -, quando ela explica em detalhes, as três coisas que ao céu mais desagradam: incontinência, malícia e bestialidade? A culpa por ter pecado por causa de incontinência ofende menos a Deus. Se você lembrar com cuidado essa doutrina, entenderá por que aqueles lá de cima foram separados destes maliciosos aqui em baixo.

Dante Alighieri. A Divina Comédia: Inferno, Purgatório e Paraíso. Tradução e notas de Ítalo Eugênio Mauro. Em português e italiano (original). Editora 34, São Paulo, 1999.


O Brasil já está fora da Copa do Mundo há algum tempo, mas insistimos em nos ocupar com assuntos futebolístico e policialescos. Afinal de contas, somos o país do futebol e das injustiças sociais, né Dunga? Enfim, viva Espanha! Viva Holanda!

O caso do agora ex-goleiro do Flamengo (seu contrato está suspenso) estarreceu boa parcela da opinião pública (que porcaria abstrata é essa?) e instigou nossa porção paparrazi. A possibilidade de as celebridades estarem quase sempre para além do bem e do mal, e isso não é uma exclusividade brazuca, sempre surpreende com essa espécie de imunidade, tal como os parlamentares detêm e adoram.

Vocês todos foram saturados de informações sobre o caso e como não sou jornalista não vou colaborar com sua fadiga da informação, mas gostaria de comentar que me indigno com as declarações de Bruno antes de toda essa confusão e desse bárbaro crime, em trama na qual tudo indica estar ele envolvido.

As declarações desse rapaz sempre foram machistas e retrógradas, o que não o faz culpado por este crime bárbaro, aliás, crimes semelhantes a esse existem todos os dias por nossas periferias, só que sem o glamour dos flash’s globais e genéricos.

Da mesma forma que aqueles moleques tocaram fogo no índio Galdino por acharem se tratar de um mendigo ou dos moleques da classe média alienada que vão agredir os travestis nas grandes cidades por divertimento, parece que o goleiro-celebridade achou que poderia usar a moça (maria-chuteira declarada, o que não isenta o crime) e descartá-la quando apresentasse algum inconveniente aos seus planos. Dessa forma, ao que tudo indica com a anuência de sua esposa e dos amigos e cúmplices, deram cabo da vida dessa moça.

Muitas especulações são debatidas e os assuntos são tratados pelo mestre e especialista em tudo, Percival de Souza, e seus diletos discípulos. Programas vespertinos são umas merdas mesmo. Talvez eu esteja colaborando para isso de alguma forma.

Sequestrar, espancar, torturar, matar, esconder os restos mortais, apostar na impunidade, passar a culpa para um jovem com menos de 18 anos, tudo isso está no repertório e no imaginário brasileiro. Será que a impunidade prevalecerá? Ter dinheiro atrai os melhores advogados, os quais sempre conseguem as melhores brechas nas leis, preparadas “fofamente” por nossos queridos e comprometidos parlamentares.

Contudo a origem pobre de Bruno irá pesar contra ele, sem dúvidas. Todas as ladainhas sobre o sofrimento do menino pobre e a rápida ascensão (já possui diagnóstico para isso também! Viva os laudos psicológicos!) o condenarão, seja na esfera jurídica ou na social.

Esperemos o desenrolar de mais uma história dantesca em nosso inferno com vista pro mar... que às vezes também é o Éden terrestre. Façam suas apostas:

Defesa memorável?

Gol da Justiça?

Impedimento?

Olho aberto torcida brasileira!

Saudações na marca do pênalti!

sábado, 5 de junho de 2010

Israel, Estado terrorista!


A burguesia rasgou o véu de emoção e de sentimentalidade das relações familiares e reduziu-as a mera relação monetária – Marx & Engels

Hoje utilizo esse espaço para lamentar a atitude do Estado terrorista de Israel em mais um de seus crimes contra os povos da faixa de Gaza e militantes oriundos de causas humanitárias. Será que um dia isso acaba? Parece que tão breve não acontecerá!

O esforço de Brasil e Turquia para tentar acordos internacionais sem intervenções bélicas ou sanções econômicas pode ir por água abaixo... tendo em vista a postura petulante dos EUA e seus aliados pelo mundo e, sobretudo em Israel. Não querem paz, querem sugar todos os recursos planetários e eliminar todos que se oponham ao seu mirabolante desejo!

Assistimos nos últimos dias a uma terrível agressão do Estado de Israel (queridinho dos cães infiéis) que utilizou violência para impedir que a ajuda comunitária chegasse aos povos oprimidos da faixa de Gaza, território invadido por esse Estado terrorista, incrustado no Oriente Médio segundo o desejo dos “capitalistas sem fronteiras”. O navio em questão estava em águas internacionais e foi interceptado pelo irmão menor (não mais novo!) dos estadunidenses.

Não pretendo aqui debater as raízes históricas ou teológicas desse conflito, até porque o problema lá é estratégico-militar e econômico, como bem se sabe. Interesse esse nos petrodólares e também em barrar o crescimento da religião que vem se destacando em diversas regiões do planeta, ameaçando a estrutura da aliança judaico-cristão-ocidental.

Também não quero aqui defender “homens-bomba”, não aprecio fundamentalismos, sejam religiosos (mundo islâmico) ou econômicos (mundo capitalista). Estamos todos cansados, não exatamente todos (apenas seres pensantes), das explicações e justificativas mágicas dos deuses Iavé, Jeová, Alá, Buda, Shiva, seja lá qual for o de sua preferência! No final das contas todos se submetem ao “Deus Dinheiro”! Observem os evangélicos da teologia da prosperidade...

Enfim, enquanto escrevia esse texto ouvi sobre um novo navio sendo interceptado e, segundo os registros das forças armadas israelenses, sem violência. Talvez pelo fato de esse navio ter bandeira irlandesa? O anterior tinha bandeira turca.

O Estado de Israel também se comporta como um Estado teocrático, aos moldes dos seus declarados inimigos islâmicos, mas o deus a que servem esses Estados, embora os chame por nomes diferentes, trata-se da mesma entidade, qual seja o “Deus Capital”. Insuflam seus povos a uma guerra santa de acordo com seus interesses comerciais, sem o menor pudor e naturalizam disputas irracionais entre povos que poderiam perfeitamente conviver de forma pacífica, não fosse a cobiça dos capitalistas.

Encerrando o texto (não a discussão!) lembro que ainda haveria um outro grupo religioso que poderia apimentar essa disputa, contudo parou de disputar pelas armas a região desde as Cruzadas. Cristãos parecem ter deixado de lado a disputa bélica por esse território sagrado a tantos, talvez por assimilar melhor aliados comerciais do que os demais, ainda reféns do fundamentalismo.

Israel não pode se esconder na imagem do terrível Holocausto promovido pelos nazistas (e com a omissão dos capitalistas do mundo – EUA, Inglaterra e França), além de não terem sido somente os judeus perseguidos por esse regime e seus aliados, e promover um novo Holocausto agora contra os povos da Palestina sob o pretexto de uma espécie de imunidade adquirida pelo sofrimento do povo judeu, seja na perseguição nazista ou na escravidão no Egito. Consideram-se o povo eleito de Deus, mas para quê? Perpetuar a guerra? A exploração?

Sejamos sujeitos da nossa História!

Façamos com que a consciência de classe possa se fortalecer cada dia mais, para que possamos nos levantar contra os exploradores capitalistas e nos unir pela verdadeira peleja a ser travada nesse planeta, a luta de classes!

Proletários de todo o mundo, uni-vos! – Manifesto do Partido Comunista (Marx & Engels)

domingo, 23 de maio de 2010

A imprensa a serviço dos poderosos


Nesses dias alguns assuntos me tiraram o fôlego e me chamaram atenção. Resolvi ruminá-los para depois comentar. Aliás, diga-se de passagem, destaco ótimos artigos de amigos e de um professor, publicados em blog’s que acompanho e que inspiram a pensar. Aponto aqui os link´s:


http://priscillabranco.blogspot.com/2010/05/espertinhos-e-espertalhoes-g-pugliese.html

http://maximo.r.blog.uol.com.br/

Um dos assuntos foi a maneira nefasta com que a revista-lixo-não–reciclável (Veja) trata a questão indígena em nosso país. O outro trata do acordo entre Brasil-Irã-Turquia, evitando, assim, diversas sanções ao país persa e um novo possível conflito entre “os donos do mundo” e o Irã, o que poderia levar o planeta ao aumento do caos em que já vivemos.

Não pretendo aqui esquadrinhar argumentos acerca desses dois assuntos, pois já indiquei duas ótimas fontes para que consultem e se estabeleçam melhor sobre tais temas.

Novamente gostaria de apontar a velhacaria de nossa imprensa “livre” e burguesa, ligada pelas entranhas aos poderosos e opressores do povo brasileiro e com compromissos com os gatunos estrangeiros, doidos para desqualificar nossa história e nossos avanços (por mais tímidos que ainda sejam eles).

São esses sujeitos nada confiáveis que se pretendem acima do bem e do mal, neutros e cuja apresentação de qualquer forma de controle social, apegam-se ao clichê da suposta censura. Não dizem que são apenas meia dúzia de famílias que detém o controle de transmissoras e retransmissoras dos canais de tv, rádios e donos de jornais. Quer maior censura do que um país que se divide entre os que tem e os que não tem acesso a saúde, educação, lazer, cultura, trabalho, ou seja, condições mínimas para uma vida digna?

Não defendo e nunca defenderei o direito de imprensa e de expressão alicerçada apenas na possibilidade de uma classe social poder se valer dela.

Não defendo esses calhordas (fariseus hipócritas!), esses sanguessugas dos trabalhadores brasileiros e dos demais países!

Descolonizar é preciso!

A necessidade do aval estrangeiro, especialmente do velho continente e dos cães infiéis (EUA), deve ser substituída pela aliança entre os povos que lutam por sua autodeterminação.

Aguardemos os próximos lances desse jogo de xadrez!

Saudações descolonizadas!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Apenas palavras



Vento No Litoral
Legião Urbana
Composição: Renato Russo

De tarde quero descansar
Chegar até a praia e ver
Se o vento ainda esta forte
E vai ser bom subir nas pedras
Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando
Tudo embora...

Agora está tão longe
ver a linha do horizonte me distrai
Dos nossos planos é que tenho mais saudade
Quando olhávamos juntos
Na mesma direção
Aonde está você agora
Alem de aqui dentro de mim...

Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você esta comigo
O tempo todo
E quando vejo o mar
Existe algo que diz
Que a vida continua
E se entregar é uma bobagem...

Já que você não está aqui
O que posso fazer
É cuidar de mim
Quero ser feliz ao menos,
Lembra que o plano
Era ficarmos bem...

Olha só o que eu achei
Cavalos-marinhos...

Sei que faço isso
Pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando
Tudo embora...


Tantos são os assuntos para “falar” que, às vezes, é mais cômodo calar-se. Já utilizei desse expediente em outras oportunidades, tento não fazê-lo agora. Também já lhes comuniquei oportunamente sobre minha triste hemorragia na veia artística. Sangrou, sangra e sangrará até o crepúsculo de meus dias.

Ano eleitoral com o tempero de uma copa do mundo de futebol, não apenas uma copa, mas a primeira a realizar-se no continente africano, no berço do apartheid institucionalizado de outrora. Triste ou alegre? Saberá lá o quê!

Encontros e desencontros desse orbe das expiações e provas, contagiados pelo entreguismo fácil e pelo abatimento fugaz. Acaso “ a vida vem em ondas como o mar, num indo e vindo infinito” porque nadar contra a corrente? Talvez pelo fato mesmo de tentar se livrar delas (as correntes!).

Nosso porto seguro, ou seja, nosso recolhimento até a parte que nos cabe desse latifúndio, poucas vezes tem vista para o mar e também, não raras vezes, nos proporciona a desventura da solidão das paisagens.

Enfim, o mar nos apresenta todo seu fascínio de forma sedutora e nos arrasta para águas nunca d’antes navegadas e, ao afogar-nos em seus mistérios, nos traga até sua imensidão incógnita. Oportunidade para otimistas, desgraça para pessimistas e apenas mais um dia para nós, os realistas.

Minha porção anarquista é entusiasta do caos e do apocalipse, contudo a condição humana pede explicações para me sentir confortável nessa relação tempo-espaço arrastada. E, nessa toada, sigo entendendo pouco, mas arrebatado pelo desconhecido.

Como pode alguém que admira a tal liberdade,  entregar-se ao anseio por ser preso ao destino de outro alguém numa dialética do amar/sofrer e ainda buscar sua síntese? Iracema ou Capitu, eis a questão! Melhor mesmo é fincar meus pés ao chão e trilhar novos caminhos bem longe da ficção, pois a vida não é para amadores, tampouco para amantes românticos, isso já passou para as páginas dos livros de história.

Encerramos nossas transmissões...

Saudações desencontradas!

domingo, 2 de maio de 2010

Alice no país das maravilhas: Brasil, sil, sil!


Neutro é quem já se decidiu pelo mais forte.

A experiência de irracionalidade do mundo tem sido a força motora de todas as revoluções religiosas.
Max Weber

Aquele que botar as mãos sobre mim, para me governar, é um usurpador, um tirano. Eu o declaro meu inimigo
Pierre-Joseph Proudhon

Respeito à lei, este é o cimento que mantém a estrutura do Estado. A lei é sagrada e aquele que a desafia é um criminoso. Sem crime não haveria Estado: o mundo da moral - ou seja, o Estado - está cheio de vagabundos, mentirosos, ladrões (...) O objetivo dos estados é sempre o mesmo: limitar o indivíduo, domesticá-lo, subordiná-lo, subjugá-lo
Max Stirner

Me pergunto em que tipo de sociedade vivemos, que democracia é essa que temos onde os corruptos vivem na impunidade, e a fome das pessoas é considerada subversiva.
Ernesto Sábato
Os neoconservadores de plantão e do cristianismo rasteiro felicitam a decisão do Supremo Tribunal quanto a não revogação da Lei da Anistia. A decisão combateria algo chamado de revanchismo dos órfãos da esquerda do século XX, segundo os arautos da ordem e do progresso, da democracia e dos bons costumes, ou seja, as carolas cheias de pudores publicamente e devassas nas alcovas. Papo para Nelson Rubens e Sônia Abraão!

Passemos, então, aos problemas gerados por essa lei, mais de 30 anos após sua aprovação. Talvez o problema principal aqui, inclusive apontado pela Anistia Internacional, é que o clima de impunidade em relação aos mandos e desmandos do Estado e de nossos “representantes” passou a ser a verdadeira lei.

Não somente no período da ditadura MILITAR, mas em outros momentos de nossa breve história, fomos (e somos!) esmagados pelos instrumentos democráticos de coerção do Estado que privilegia pessoas de acordo com seus recursos financeiros, criando um apartheid não declarado (não assumido em forma de lei) e que é o responsável pela perpetuação da pobreza, das desigualdades, da impunidade e do aval cego à violência “legítima” do Estado. A legitimidade da violência do Estado se encontra nos diversos dispositivos a serem utilizados para se julgar cidadãos e cidadãs para que não haja injustiça e não baseados no arcaico Código de Hamurábi tupiniquim a que somos submetidos, sobretudo nas periferias de nosso país.

Nossos vizinhos, embora cada qual em seu contexto, sobretudo Chile e Argentina, já tomaram suas necessárias providencias quanto ao acerto com seu passado ditatorial, quer seja abrindo seus arquivos do período e/ou levando a julgamento esses criminosos inescrupulosos e covardes que ceifaram o atraso, as desigualdades sociais e a pobreza em nosso continente.

Somente alguém alienado ou mal-intencionado pode achar que existem dois lados a serem julgados, tendo em vista que aqueles que lutaram contra o regime ditatorial militar (regime que teve o aval e entusiasmo da elite nacional e internacional) já foram presos, exilados, perseguidos, torturados, desaparecidos e mortos, sem o devido direito a um julgamento justo, ou seja, foram sim condenados pelos tribunais e pelos milicos dos porões da ditadura.

Tudo acontecendo em plena Guerra Fria e financiados (todas ditaduras latino-americanas, inclusive a nossa) por nossos “big brothers” do norte da América, aqueles mesmos cães infiéis que treinaram e equiparam cubanos dissidentes para que realizassem um contra-golpe na Cuba já liberta de seu julgo, seu antigo prostíbulo de luxo.

Realmente a instância adequada para a batalha não seria o STF, mas o Congresso Nacional, contudo nossos digníssimos representantes participam não de um fórum para debates sobre planos nacionais ou de interesses maiores do povo brasileiro, mas trata-se de uma grande feira-do-rolo, na qual os interesses privados da burguesia nacional (submissa à internacional!) e seus asseclas, sejam militares, ruralistas, empresários e bancadas evangélica e carolas católicas e das demais religiosidades tentam assegurar seus privilégios medievais.

O debate esfriar-se-á nesse ano de Copa e de eleições, pois tais assuntos não agregam votos e ainda podem complicar a vida de candidatos e candidatas por todos os rincões do país. Sem contar com a ignorância de nosso povo (incluo-me aqui!), fatigado pela sobrevivência cansativa do cotidiano servil.

Menção honrosa aos dois ministros do STF que tiveram a sobriedade de votarem a favor da revisão da Lei de Anistia, quais sejam: Ricardo Lewandowski e Carlos Ayres Britto.



Saudações libertárias!