quinta-feira, 22 de abril de 2010

Sobre meninos e lobos


O homem é o lobo do homem – Thomas Hobbes
Sei que parece tarde, mas é sempre válido tentar entender o que acontece nos discursos políticos e nas intenções de seus atores. Refiro-me à pérola apresentada por Serra e sua candidatura à presidência em seu discurso de oficialização.

Mas preciso iniciar me retratando com os lobos, animas que lutam por sua sobrevivência e a cuja aparente violência apenas retrata nossos sentimentos de culpa por sermos, não mais predadores pela necessidade, mas pela maldade!

Lamentável a naturalização das desigualdades sociais, encampadas pela “inteligência” tucana, a qual dizia-se defensora dos fundamentos democráticos e que, por mais que desejem possuir um verniz popular, trata-se da defesa de governo de elites, assim como é a democracia tão apreciada pelos ignorantes de sua formação, quer seja na Grécia Clássica dos privilégios e da escravidão, como na Europa Moderna das desigualdades e da xenofobia.

Ao discursar para tentar conciliar interesses de classes contraditórias, tenta “diabolizar” os instrumentos de luta e de justiça social, assim como as entidades que os apóiam e que fazem campanha contra a ampliação de direitos adquiridos em parte do hemisfério norte lá nos séculos XVIII e XIX, os quais ainda não se fazem presentes no hemisfério sul. Trata-se, ainda, dos déspostas esclarecidos tentando sustentar estrutura que os privilegiem em pleno século XXI.

Ao dizer que, caso eleito (batendo na madeira nesse momento!), irá governar para ricos e pobres, sem incitar disputas (de classes!) trata como otários todos os trabalhadores que há tantos séculos vem sendo explorados e que nunca têm espaço de fato (às vezes de direito) para levar suas reivindicações legítimas. Quando surge liderança aparentada com sua desventura, prontamente são desqualificadas ou comparadas ao que entendem ser ridículo ou revanchismo.

Enfim, já escrevi anteriormente que não se serve a dois deuses simultaneamente, pois isso implicaria em problemas de diversas ordens. Contudo, sabemos do que os tucanos são capazes, principalmente no estado de São Paulo, do qual não largam o osso há diversas eleições e no qual aproveitam-se do comodismo e conservadorismo de seus habitantes para perpetuar suas (más) intenções em termos públicos e privados. Apresentam a “cenourinha” que a classe média tanto gosta e nos enfiam goela abaixo (será aí mesmo?) seu projeto entreguista e neoliberal.

Não somente através de meu voto, mas através de discussões e ações, pretendo contribuir para que tal projeto não volte à esfera federal e que nos livremos desses “cães infiéis” também aqui em nosso estado.

Deixo a sugestão para a reflexão do(a) leitor(a) amigo(a).



Saudações!


Ausência

 Car@s Amig@s

O cotidiano me esmaga e impede que tenha momentos para ruminar fatos e notícias e colocar "no papel" minhas humildes observações, por isso estive ausente nesse espaço de que tanto gosto (talvez ao modo de Narciso!).
Mas me esforçarei para dar a periodicidade semanal a este espaço!
Agradeço a compreensão de todos e todas!

Abraço!!!

domingo, 28 de março de 2010

Contra a concepção educacional dos “modernos” déspotas esclarecidos (Tucanalha)


Não é de hoje que tucanos nos fazem o favor de trazer suas brilhantes ideias ou deturpando as ideias de outros em educação pública. Seu verniz conciliador entre pós-modernidade e despotismo esclarecido tem como papel enganar os ignorantes (ignorância = não saber) em relação a seu “saco de maldades”. São sujos e mentirosos, sem dizer que são entreguistas de nossos bens públicos, natureza e nossas almas periféricas.

A charge de Angeli demonstra bem o projeto de educação integrada proporcionada pelos tucanos e seus aliados históricos, quer sejam, os donos dessa Terra de Vera Cruz! Com aval da Santa Sé, dos protestantes, espíritas e demais denominações, os quais prestam o desserviço de naturalizar a desigualdade social.

Impressiona o interesse pela “moda midiática” e o desinteresse pelos dramas cotidianos, tendo em vista que são tantos quantos as estrelas no céu e só têm espaço nos jornalísticos sensacionalistas. Não gostamos de nos reconhecer na realidade, preferimos os supostos laboratórios comportamentais do tipo Big Brother, novelas da zona sul do Rio de Janeiro ou as caricaturas paulistanas, nordestinas ou internacionais.

Abraçar a realidade em suas virtudes e “defeitos” é importante para nosso crescimento pessoal e coletivo. Deixarmos de lado os estereótipos é passo sem o qual não caminharemos bem diante dessa “vida marvada”. É difícil renunciar ao reconforto do sofá e seu entretenimento imbecil (mas “engraçadinho”!), contudo será mais reconfortante do que continuar a nos submeter aos meios de transporte lotados, empregos e subempregos em condições subumanas, vida vazia de objetivos de essência, entre tantos outros aspectos alienantes.

Começar pela educação de nossas crianças e jovens, mostrar valores humanos, desmascarar as mazelas dos poderosos e promover o pensamento crítico são nossas obrigações, evitando que seu mundo se transforme no palco do Admirável Gado Novo. Embora seja, não quero permanecer nesse papel de ovelha, sendo conduzido por pastores fanáticos de várias ordens, sejam elas religiosas, políticas, ideológicas ou quaisquer outras.

Apostar na inteligência humana, no futuro da espécie, na autonomia e na justiça social ao invés do lema burguês de liberdade, igualdade e fraternidade é nossa fundamental tarefa. Colaborando para que nosso futuro (crianças e jovens) possa ser assentado em solo firme e comprometido com justiça e paz. Evitando, assim, a continuidade do sistema integrado Febem-Detenção, para todos nossos jovens. Criando um mundo de cooperação e de valores humanos (os bons!), recriando, não em laboratório, uma sociedade em harmonia com o planeta.

Sejamos construtores do novo homem!

Saudações aos companheiros e companheiras!

sábado, 27 de março de 2010

Diálogo DEMOcrático tucano!


Na última sexta-feira pudemos observar o apreço de Serra (Tucanos/Demos) pela democracia e pelo respeito ao direito à greve e a manifestação. Grande parte da população nem se apercebeu dos acontecimentos devido a comoção social gerada pelo caso Nardoni e seu julgamento, o qual resultou na culpabilidade de Alexandre (pai) e Anna Jatobá (madrasta) com pena de reclusão de 31 e 26 anos, respectivamente.

É triste constatarmos a que ponto chegamos em termos de violência, assim como expressei no último artigo aqui escrito acerca da morte de Glauco e Raoni. Contudo nada temos feito para que a situação mude. Não basta irmos para frente dos locais dos “tribunais” com faixas e soltarmos fogos ao final das decisões dos magistrados, temos que mudar o rumo de nossos destinos coletivamente.

Iniciar com decisões bem apuradas e baseadas em provas inequívocas é passo importante para extirpamos a impunidade dos nossos laços jurídico-sociais, mas devemos construir uma sociedade da essência ao invés da sociedade de consumo irracional. Dessa forma diminuiremos a criminalidade e impediremos sociopatas e psicopatas que tanto vemos a cada dia.

Outro foco importante é garantir às esferas de direitos (civil, políticos e sociais) sua plena efetividade e impedir que governantes utilizem covardemente os recursos de repressão contra o povo em reivindicação por melhorias nas condições de vida, trabalho e na luta pela justiça social.

É sabido que tucanos adoram estatísticas forjadas e têm ojeriza à educação pública de qualidade, vide seus governos estaduais e o retrocesso no período dos 8 anos de governo do príncipe dos sociólogos.

Contudo, ontem realmente foi difícil aceitar a truculência apresentada pelo governador Serra-Burns quando recebeu os professores da rede estadual com sua polícia. Sentar-se à mesa pra negociar “democraticamente” nunca faz parte de seu governo e aos que o contrariam sobram a truculência de nossa polícia, “aperfeiçoada” durante o regime militar, cuja tática de diálogo principal é o confronto direto e contra adversários desarmados. A mesma covardia da época da ditadura militar e ao gosto do nazi-fascismo.

Serra representa quase tudo que não se admira em um ser humano (será que ele é?) e lhe resta apenas a tática da maquiagem através das propagandas pagas (com nosso dinheiro) e a de estúdio, para que sua face nefasta possa sofrer “correções” cândidas. Sua máscara de democrata já caiu faz tempo e comemoremos sua queda nas pesquisas, pois alguém que “queimou” seus próprios aliados, seja Roseana em 2002 ou Aécio agora em 2009/2010, só pode ser alguém de quem devemos nos precaver.

Fora Serra!

Abraços!

sábado, 13 de março de 2010

A morte não tem graça!


Custo a escrever sobre mortes pontualmente, pois não gosto muito de descortinar alguns sentimentos. A morte de Glauco e Raoni não pertence somente a mim, evidentemente, mas o curso de nossa sociedade “civilizada” me apoquenta. A quem servimos? Deus ou Mamon? Não se pode servir aos dois! E não se trata de discussão religiosa, mas de valores humanos.

Há semanas, devido ao confronto entre torcidas uniformizadas, jovens morreram e outros tantos foram feridos. Isso não se restringe a torcedores de futebol, pois a violência está espalhada por toda a sociedade. Todos os dias crianças, jovens, adultos e idosos são mortos brutalmente ou vítimas de toda sorte de violência pelas periferias do Brasil e do mundo. Quem chora essas mortes? Suas famílias e amigos, apenas. Servem também para a histeria de apresentadores de (tele)jornais sensacionalistas.

O número de mortes brutais atinge muito mais “anônimos” do que famosos, é óbvio. Isso provoca orgasmos nos viciados em estatísticas, até porque são assim mesmo tratados. Mortes sem rosto, sem contato, sem história, sem esperança, sem lei, sem moral e, na visão do mercado, facilmente substituíveis. Lamentável a que ponto chegamos! E, lembrem-se, sempre podemos piorar!

Venho aqui escrever por ter crescido e aprendido a lidar com a dura realidade e desenvolvido parte da minha virtude (cinismo) lendo a vida de forma crítica e humorada graças aos ótimos cartunistas brasileiros. Indignar-se, sem perder o bom humor, e me refazer para transformar.

Sempre acreditei que o maior sinal de inteligência seria o bom humor, mas a realidade insiste em tentar apagar esse brilho. Êita, mundão chato dos infernos!!! Sigamos lutando contra tudo e contra todos os mau-humorados de plantão.

Recorrentemente utilizo esse espaço para mostrar meu descontentamento, nem todos enxergam minha luta pela transformação, apenas me consideram um niilista. Bem, será que não leem entrelinhas? Será que não leem linhas? Será que realmente se conformam com o mundo em que vivemos? Será?

Enfim, às favas com seu mundinho “mais ou menos”, de migalhas e “entremuros”!

Lamento profundamente a morte do cartunista Glauco, o qual colaborou para minha formação sociológica e humana, mas, sobretudo, lamento a morte de mais dois seres humanos, os quais juntam-se às estatísticas da violência da sociedade de consumo e da reciclagem.



Adiós amigos!

Vaya com Diós!