domingo, 2 de março de 2014

Minha prisão

Hoje percebo boquiaberto
Que a cada instante fico mais perto
Daquele desejo de me libertar
Quem sabe até despertar?

Mas quanto mais me liberto
Mais vontade tenho de fixar xilindró
Menos cativo me percebo
Lembrança suave dos conselhos da vovó

Ah, meu santo desespero!
Assim, destempero!
Rumo ao desconhecido
Estranho conhecido

Pessoa afirmou:
Navegar é preciso, amar não é preciso!
Assim segue a dúvida:
Do que preciso?

A precisão matemática
Foge a meu gosto humanista
Recorro à retórica
Sem aquela paciência intimista

Nessa minha prisão inglória
Da qual me tornei insurgente
Nem a essa prisão sinto-me pertencente
Nem a minha própria história

VRJ - poema escrito em 20/05/2012.


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