sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Tempo efêmero

A vontade é que nunca termine
A realidade é que o vento levou
Nada melhor que responsabilizá-lo
Já que é natural que nada dure tanto

Mas tudo que é nosso, assim sempre o será
Isso não tem jeito e nem tempo para mudar
Mas as marcas das lutas e sua cicatriz estão lá
Impossível não levar em conta e não reparar

Adeus vida velha
Velha vida de Deus
Nada como mudar

E se o tempo e o vento
Em nada alterar
Mudo eu de lugar

VRJ - poema escrito em 07/11/2012.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Vôo sem asas

Sofrer por muito tempo é voluntário
Não me sinto em função disso um otário
Mas tem gente que prefere focar no salário
Mas um dia assim, torna-se intermediário

Escrevi em poemas sentimentos presos
Os libertei para voarem como pássaros
E como todos eles, voam por necessidade
Daí surge a mais cruel forma de realidade

Mas pais e mães não entendem
E nem avôs e avós entendiam
Tampouco os filhos entenderão

Nessa última noite no planeta azul
Talvez espie indiscretamente a Lua
Ou apenas voe procurando o sul

VRJ - poema escrito em 03/11/2012.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Afinados

Acrescento a partícula de negação “a”
Nem sempre representa negação
Mas na lembrança de quem fica
Passa a ser importante, necessária

Sejamos sóbrios, pois é coisa relevante
O que não se espera é o esquecimento
Seja no campo, seja na terra do cimento
Pulsar o coração e seguir firme adiante

Para a música da vida tocar sempre
Há que se afinar com as possibilidades
Ou deixar se levar pela morte, numa eternidade


VRJ - poema escrito em 02/11/2012.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Pobre São Paulo

Não é de hoje que o amor sofre
Quando ele ressurge, há quem o recuse
Nossos “intelectuais” de direita piram
O clero e seus fieis os acompanham
Seu compromisso não é com o povo
Tampouco com a necessária mudança
Trabalham em nome do status quo
De nós, pensam que somos objetos
Necessários para o trabalho, por agora
Desde que usemos o elevador certo
Carinhosamente nos catequizaram
Mas encontram-se boquiabertos
Pois o caminho que dizem ser o correto
Não contempla nosso voto como certo
Aloprados os que assinaram a Lei Áurea
Pior os que acabaram com o voto censitário
Era tão bom fazer uso desse povo otário
Sejamos oposição à mudança e ao amor
Que o estado reprima antes que descubram
Todo mal que fizemos e que escondemos
Ao toque do plim plim, oculte tudo de ruim

VRJ - poema escrito em 29/10/2012.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Proposta vil

Consuma meu ideal
Não há de lhe fazer mal
Ao menos irá me agradar
Facilito para que possa pagar
Caso resista à minha oferta
Só um aviso, caro colega
Na mesma hora vou com prazer
Esmagar-lhe como a um mosquito

VRJ - poema escrito em 27/10/2012.