sábado, 11 de outubro de 2014

Eu prometo

Era uma vez um candidato
Não gostava do povo
Mas precisava dele
Mesmo que às vezes
Vendeu nosso patrimônio
Sua alma ao demônio
Mas aparecia em pele de cordeiro
Beijava pobre o dia inteiro
Dos professores cuidava com zelo
Cassetete e tiro de borracha
Pelo ano letivo inteiro
Dois professores em sala (onde?)
Mas não tinha plano de governo
Setenta e sete por cento falava
Do adversário com falsos argumentos
Jogava sujo e contratou gente do seu naipe
Divulgava boatos, alterava e pervertia fatos
A imprensa, de joelhos, tentava ajudá-lo
Mas não há como mudar sua face
Não tinha nada de bom a apresentar
Por isso o afastemos hoje e domingo
Viva as ideias novas e o novo tempo

VRJ - poema escrito em 26/10/2012.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Almejando a eternidade

Dizem que tudo na vida passa
Mas me nego a acreditar nisso
Pois vocês, queridos alunos, não passam
Alguns chegam de mansinho
Outros promovendo algazarra
O que fica é aquele sentimento
Um bem-querer sem tamanho
Toma espaço, torna-se soberano
Mas será que me sinto satisfeito?
Não é megalomania, nem desrespeito
Apenas gostaria de ter realizado
Minha tarefa a contento, quase perfeito
Desculpe-me pelas imperfeições
Mas se colaborei em sua formação humana
Fico feliz e recolho-me a minha insignificância

VRJ - poema escrito em 25/10/2012.

domingo, 5 de outubro de 2014

Ingratidão

Sofro desse mal nas entrelinhas
O culpado é inimigo mortal
Conhece-me bem e me desafia
Esconde-se no espelho e me azucrina

Mas como machucá-lo
Sendo ele, eu
E eu sendo ele
Minha cópia fria

Sade retro, satanás
Deixa-me viver só
Só viver, sem dó

E para não chatear o leitor
Aumentando o que já é dor
A chuva chegou para confundir
Serão lágrimas suas gotas de perdão?

VRJ - poema escrito em 21/10/2012.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

A aposta

Ao apostar corremos riscos
Seja de perder, seja de ganhar
Mas existem aquelas que sabemos
Não há chance, já perdemos

Insistimos e erramos
Desperdício, não!
Só viagem que fizemos

Corre à boca pequena seu insucesso
Fruto do medo das pessoas à toa
Pensam assim desqualificar quem luta

Mas não pense que me entrego
Só no final dessa jornada, morto
É que vou somar as tais derrotas
E festejar as vitórias que são muitas

VRJ - poema escrito em 21/10/2012.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

A culpa

Difícil encarar e aceitar o fato
Mas o insucesso é patente
Dele sou culpado e não o nego
Com prazer adoentado o fardo carrego

O pedido era para ser autônomo
Seja sentimental, seja financeiramente
De nenhum consegui a independência
Triste fim de um Policarpo Quaresma

Entrego a quem acolher
Meus restos mortais
Sepulte sem deferência

Pois minha falta de coragem
Foi desse cálculo, a diferença
Nada aprendi dessa experiência

VRJ - poema escrito em 16/10/2012.