quarta-feira, 11 de maio de 2016

Um olhar sobre o tempo

Já fomos parecidos demais
Mas já não me reconheço
Nem me vejo como alguém
As fotos reveladas não mentem
Fui ontem quem não sou mais
Mas se um dia eu fui e hoje não sou
Amanhã serei alguém que desconheço
Que mesmo distante nesse momento
Confirma quem fui ontem
Quem eu sou atualmente
Quiçá o futuro me reserva
Boas lembranças do que vivi
E uma morte doce e serena

VRJ - poema escrito em 21/05/2014.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Breve desabafo

Sem estilo, sem escola e todo perturbado
Risco agora essas linhas um tanto atordoado
Quando não dá para reclamar diretamente
Finjo que tá tudo bem e te beijo acanhado
Mas não sou Judas que te entrega por moedas
Faço isso por não ter recebido o que era justo
Seguirei meu caminho sem pagamento e magoado
Sem a certeza de que o que fiz tenha sido o correto
Mas o correto também me fora intensamente negado
Termino esses versos um pouco menos angustiado
Não pude te mandar à merda, como queria
Contudo te expus para além do meu intelecto
Mostrei ao amigo leitor que você não vale um trocado

VRJ - poema escrito em 16/05/2014.

domingo, 17 de abril de 2016

Ser ou não feliz

A propaganda nos força
Desejar é necessário
Corra atrás da felicidade
Que venha em prestações
Pague agora, viva depois
Todo sentimento é criado
Há tempos não existe nada natural
A ilusão é necessária a todos
Desde o empregado até o patrão
Buscar ser completo e feliz
Ter uma família alienada
Trabalhar com o que se quis
Viver as mais invejadas férias
A glamorosa viagem a Paris
Sentir-se vira-latas em seu país
Buscar o que não se quer
Podendo morrer sem razão
Não tendo vivido nada importante
Nem a boa luta, nem o melhor da paixão

VRJ - poema escrito em 15/05/2014.

domingo, 10 de abril de 2016

Todo verso

Todo o verso chega ao seu destino
Até mesmo por caminhos pecaminosos
Algumas vezes é mensageiro enganador
Ardiloso que esconde sua própria dor
Faz cara e pose de ditoso vencedor
Mas não sabe viver das verdades
Por isso esconde suas imperfeições
Deixando escapar mais um amor

VRJ - poema escrito em 11/05/2014.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Versos sem espaço

No último momento ocorre o fato
Um milímetro a mais e nem teria
Para a sobrevivência do meu ser
Aquele que seria o teu espaço
Nem amarro mais os meus cadarços
Jeito diferente de marcar o tempo
E de deixar de viver nesse espaço
Que sempre fora entendido aqui
Como território singular e vasto
Um latifúndio para as tristezas
E o refúgio a alimentar os fracos

VRJ - poema escrito em 07/05/2014.