terça-feira, 21 de junho de 2016

Um passo seguro

O passo de ninguém
Segue manual e tal
Mas todos desejam
As instruções do além
E da cartilha elas surgem
Dão sentido para a vida
Suavizam toda partida
Por outro lado também
Limitam as possibilidades
Mas o que procura o homem
Não é a sua liberdade
E sim o direito de ser alguém

 VRJ - poema escrito em 04/06/2014.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Poema sobre nada

O mundo é isso mesmo
Mistérios e descobertas
Perguntas que incomodam
Sem o conforto das respostas
Janelas e portas abertas
Nem mesmo ele escapa
O nada não é nada
Por ser alguma coisa já é algo
Deixou de ser coisa nenhuma
Sua ausência foi roubada
Como se dono do que não há
Fosse a regra agora válida
Deixando de aceitar finalmente
O que se imaginou noutro tempo
Ser tudo aquilo que se sabe
Sobre o nada

 VRJ - poema escrito em 30/05/2014.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Desaconselhando

Na infância
recebi
Avisos e conselhos
ouvi
Muito pretendia e
segui
Algum ‘mimimi’
verti
Mas resisti e
construí
O possível
atingi
No último suspiro
faleci

 VRJ - poema escrito em 22/05/2014.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Um olhar sobre o tempo

Já fomos parecidos demais
Mas já não me reconheço
Nem me vejo como alguém
As fotos reveladas não mentem
Fui ontem quem não sou mais
Mas se um dia eu fui e hoje não sou
Amanhã serei alguém que desconheço
Que mesmo distante nesse momento
Confirma quem fui ontem
Quem eu sou atualmente
Quiçá o futuro me reserva
Boas lembranças do que vivi
E uma morte doce e serena

VRJ - poema escrito em 21/05/2014.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Breve desabafo

Sem estilo, sem escola e todo perturbado
Risco agora essas linhas um tanto atordoado
Quando não dá para reclamar diretamente
Finjo que tá tudo bem e te beijo acanhado
Mas não sou Judas que te entrega por moedas
Faço isso por não ter recebido o que era justo
Seguirei meu caminho sem pagamento e magoado
Sem a certeza de que o que fiz tenha sido o correto
Mas o correto também me fora intensamente negado
Termino esses versos um pouco menos angustiado
Não pude te mandar à merda, como queria
Contudo te expus para além do meu intelecto
Mostrei ao amigo leitor que você não vale um trocado

VRJ - poema escrito em 16/05/2014.