segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Eu, vândalo

Como não sei
Ignoro
Como não acredito
Não creio
Como nada tenho
Sou miserável
Por muitos sou julgado
Por poucos, compreendido
Pelos religiosos fui condenado
Para os liberais sou empecilho
Por todos esses fui excluído
Para os companheiros, um soldado
Sem balas no pente
Com a faca nos dentes
Quando olho pra frente
Vislumbro futuro diferente
Vejo o nada torturado
Pretendendo ser notado

VRJ - poema escrito em 26/12/2013.

domingo, 4 de outubro de 2015

Procura-se

O que procuro é difícil de achar
Ao menos é assim que penso
Pois parece que muitos já têm
Talvez meu problema seja outro
Para encontrar decidi ir de bonde
Enquanto outros espertos ousaram
Utilizaram a velocidade do trem-bala
Virtude minha nunca foi a rapidez
Mas parece que nesse assunto
Apenas agi com habitual estupidez
Recolho-me agora por um século
Quando o trem-bala estiver superado
Estarei preparado para embarcar

VRJ - poema escrito em 25/12/2013.

sábado, 26 de setembro de 2015

Desista de desistir

A desistência é doce
Cala quem quer flores
Justifica nossa ausência
E evita nova dependência
Mas quem é independente?
Caso haja alguém, apresente-se!
Desiste-se na vida de pouco
Do que realmente não nos interessa
Mas se há desejo, não abdicamos
Mesmo que seu alcance esteja
“Anos-luz” do que almejamos
Apenas como poetas fingimos
Dissimulamos a dor de uma forma
Pela quase confortável renúncia

VRJ - poema escrito em 25/12/2013.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Outros tempos

Impressionante, mas ainda eles existem
São fundamentalistas e, além disso, insistem
Na bobeira com toques de sadismo
Além da ignorância nossa de cada dia
Imaginam-se vivendo na guerra fria
Dizem defender os costumes e a família
Mas conservam deveras a hipocrisia
Naturalizam aquilo que é cultura
Têm seu deus conservado nas alturas
Distante da realidade que nos afeta
Aquela que é duramente nua e crua
Seguram na mão dos seus dogmas
Com eles imaginam ganhar o seu céu
E quando em terra tentamos cooperar
A humanidade fraternal já não lhes serve
Escondem-se da realidade atrás de um livro
Que mal lido e seguido promoveu o extermínio

VRJ - poema escrito em 19/12/2013.

domingo, 20 de setembro de 2015

Um tal progresso

O que dizer do progresso
Arrasta todos para o novo
Às vezes sinto que é o certo
Noutras vejo com desgosto 

Daqueles que em seu nome
Desafiam a alma humana
E a inteligência que foi chama
Hoje é rescaldo de incêndio

Terminado o amor pelo fogo
Despertado pela novidade
Agoniza no campo da saudade

Mas o adeus é melancólico
E deixa peças espelhadas

Perdidas na nossa cidade

VRJ - poema escrito em 15/12/2013.